terça-feira, 25 de maio de 2010

Género épico - Os lusíadas - episódio de Inês de Castro com música

Género épico - Os lusíadas - episódio de Inês de Castro - actividade

http://agsbmessines.sytes.net/web/passatempo/lpo/9/epopeia/castro_1.htm

Género épico - Os lusíadas - episódio de Inês de Castro - questionário 2

Algumas questões sobre o episódio.

Determina os momentos da evolução psicológica de D. Afonso IV, ao longo do episódio.
Reflecte sobre a culpabilidade de D. Afonso IV no assassinato.
Explica a evolução da palavra capela (134, v. 4).
Analisa a estrofe 119, do ponto de vista estilístico.
Expõe os argumentos a que recorre Inês para dissuadir o rei de a mandar matar.
Explica o papel dos comentários, do poeta tendo em conta a influência da tragédia clássica.





No início, D. Afonso IV manifesta uma certa prudência, respeitando o murmurar do povo e a fantasia / Do filho que casar-se não queria (122, vv. 6-7). Por isso, decide matar Inês. No entanto, quando os algozes a trazem parente o rei, este mostra-se já movido a piedade (124, v. 2). O discurso de Inês provoca uma certa hesitação no rei que queria perdoar-lhe, movido das palavras que o magoam (130, v. 2), mas acaba por manter a sua decisão, por um lado, devido à insistência do povo e dos seus conselheiros, por outro, por influência do Destino trágico que persegue Inês.

Ao longo do episódio, vai-se assistindo a um processo de desculpabilização de D. Afonso IV. As culpas vão sendo atribuídas ao Amor, ao povo, aos conselheiros e ao Destino, acentuando-se a hesitação e a piedade do rei.
O Amor surge como causa principal da morte de Inês, assim como o Destino, o que atenua a intervenção de D. Afonso IV (130). Por outro lado, este terá sido influenciado pelo murmurar do povo (122, v. 7) que o persuade a matar Inês e palos algozes que por bom tal feito ali apregoam (130, v. 6).

No Séc. XVI significava pequena capa ou grinalda. Com o evoluir dos tempos, passou a ser atribuída pequenos santuários, igrejas ou ermidas (evolução semântica).
Percebe-se essa evolução (semântica), pois em ambas as épocas o conceito estava relacionado com a ideia de protecção.

Na perspectiva do poeta, o verdadeiro culpado da tragédia relatada neste episódio é o Amor. Nesta estrofe, o poeta dirige-se ao Amor utilizando a apóstrofe e a personificação: Tu, só tu, puro Amor. Este sentimento é caracterizado através de uma adjectivação antitética que acentua o seu carácter contraditório: por uma lado é puro, mas por outro é fero, áspero e tirano.

Para demover o rei do seu intento sanguinário, Inês denuncia a crueldade dos homens, opondo-a à compaixão dos animais pelas crianças. Em seguida, invoca a sua fraqueza, a sua inocência e a orfandade dos seus filhos.Pede clemência ao rei que, sabendo dar a morte, deve também saber dar a vida. Por último, sugere o exílio como alternativa à sua morte.

Na tragédia clássica, há um coro que vai comentando o desenrolar da acção. Neste episódio, é Camões que desempenha o papel de coro, culpando o Amor pelo desenlace trágico, como se pode verificar na estrofe 119.
Nos últimos quatro versos da estrofe 123 e nos dois últimos da estrofe 130, o poeta mostra a sua indignação, através de interrogações retóricas.
A partir na altura da morte de Inês é, mais uma vez o poeta/coro que faz a comparação entre a morte desta e a situação de Policena e da bonina.
Finalmente, na est. 135, apresenta-nos a natureza a chorar a morte de Inês.

Género épico - Os lusíadas - episódio de Inês de Castro - questionário1

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Género épico - Os lusíadas - episódio de Inês de Castro - análise

Análise pormenorizada.

Estância 118Encontramos nesta estância uma referência histórica às terras ganhas pelosportugueses na Batalha do Salado.Este combate travou-se a 30 de Outubro de 1340, junto do rio Salado; era a resposta cristã a uma contra-ofensiva marroquina para recuperar território peninsular, feita a partir de Gibraltar e Algeciras. Ao rei português D. Afonso IV, desde então conhecido por o Bravo, coube defrontar o rei de Granada, aliado dos marroquinos. A vitória portuguesa e espanhola foi celebrada por ambos os reinos e elevada a exemplo emblemático da cruzada cristã contra os sarracenos. O poeta depois de ter cantado a bravura de D. Afonso IV na vitória de Salado, volta-se para um caso com carga sociotrágica de um amor infeliz da "misera e mesquinha / que despois de morta foi rainha". É após esta referência histórica que é "desenterrado" o caso "triste e dino" de D. Inês. de Castro.
Estância 119É visível nesta estância uma invocação e personificação do "fero amor" que põe extremamente em relevo o amor como força devastadora para os "corações humanos" e causador de muitas "lágrimas". O amor é denominado como "áspero e tirano" e é comparado a uma "pérfida inimiga". Nota-se ainda nesta estância que foi esta a causa principal da morte de D. Inês de Castro ("Deste causa à molesta morte sua").
Estâncias 120 e 121Por oposição, aparece na estância 120 a descrição do estado feliz dos dois amantes, nas terras do Mondego ("saudosos campos do Mondego"). Estes surgem apaixonados, no entanto, o poeta logo nos avisa que esse amor é somente "engano da alma ledo e cego". Por esse motivo, por ser tão traiçoeiro e cruel o amor nunca perdurará. Até porque "a fortuna não [o] deixa durar muito".Podemos encontrar nestas duas estâncias (120 e 121) uma imagem expressiva, com contornos líricos, que faz ressaltar o sentimento amoroso: as lágrimas choradas, a presença de confidentes ("aos montes insinando e às ervinhas"), as lembranças de seu amor, a vivência através de recordações, pensamentos, de dia, e "doces sonhos", à noite. No entanto, estas lembranças são apenas memórias de felicidade, pois o poeta já nos havia "avisado" da efemeridade do amor.
Estância 122Esta estância trata da combinação do casamento de D. Pedro com diversas "senhoras e Princesas" que este, no entanto, rejeita pelo "puro amor" que sente por D. Inês. Surge então a figura do Rei, D. Afonso IV ("velho pai sesudo"), sensato e prudente começa a ouvir os murmúrios do povo que começa a estranhar esta situação.
Estância 123Por esse motivo "tirar Inês ao mundo determina". Aparece-nos concretamente, pela primeira vez, o desfecho que este caso trágico terá. Repare-se na reflexão incutida pelo poeta ao leitor pela interrogação retórica sobre o uso da espada. Esta foi utilizada na luta contra o "furor mauro" e será, agora, utilizada para assassinar uma "fraca dama delicada". Esta contraposição surge-nos como uma reflexão/crítica do poeta que denomina este acto de loucura ("furor").
Estâncias 124 e 125Inês é levada à presença do Rei pelos "horríficos algozes". O Rei, "movido a piedade" começa a hesitar em cometer acto tão cruel. No entanto, o povo "com falsas e ferozes razões" convence-o a retomar a tarefa. Estas razões tinham, de facto motivo para existir. Historicamente, a influência da família Castro (através de D. Inês e seus irmãos) começava a preocupar o Rei. Os súbditos, cientes do perigo desta situação "levam" D. Afonso IV a confirmar a sentença proferida.D. Inês, súplica humildemente ("tristes e piedosas vozes") pela sua vida e pela de seus filhos. Mais do que a própria morte ela teme o abandono dos filhos e as saudades de D. Pedro.Assim, na estância 125, D. Inês reitera o seu medo de deixar os seus "mininos" ("queridos" e "mimosos") órfãos. Apela, por isso, a D. Afonso IV, avó dos filhos de D. Inês e D. Pedro, que não a mate.
Estâncias 126, 127, 128 e 129 (discurso de D. Inês)Este discurso, marcadamente retórico, carregado de referências mitológicas e culturais, parece esquecer a situação psicológica desesperada da personagem e parece destinar-se somente a aumentar a intensidade do drama vivido pela mesma.Do discurso de D. Inês podemos destacar a súplica que esta faz ao Rei, de modo a que ele desista do seu intento. Para tal apresenta fortes argumentos.Em primeiro lugar, notamos um contraste entre o procedimento do rei e a clemência das "brutas feras". D. Inês enumera duas situações em que seres irracionais se mostraram sensíveis à situação de seres humanos, protegendo-os: - a rainha Assíria, cuja mãe a abandonou num monte, foi protegida e alimentada por pombas, e- os irmãos Rómulo e Remo, edificadores de Roma, foram alimentados por uma loba.Em segundo lugar, D. Inês refere a situação de orfandade a que ficarão sujeitos os seus filhos. Ela teme, não pela sua própria vida, mas pelo desamparo dos seus filhos, que ainda em tenra idade ficariam sem protecção. Em terceiro lugar é referida a injustiça do acto do governante e o apelo ao seu bom senso. D. Inês refere que partindo do princípio que o Rei fora justo ao combater os mouros, deveria também ser clemente e justo com ela, cujo único erro foi apaixonar-se por D. Pedro.Finalmente, D. Inês apela ao exílio como alternativa à sua execução. Ela prefere ser posta em "perpétuo e mísero desterro", mesmo que esteja sujeita ao frio mais gelado ou ao calor mais torrido, ou mesmo à "feridade" de "leões e tigres".
Estância 130Perante este discurso, D. Afonso IV vacila "movido das palavras que o magoam" e sente-se inclinado a perdoar-lhe. Nota-se, nesta estância uma desculpabilização do Rei D. Afonso IV, a culpa da tragédia é atribuída ao "pertinaz povo" e ao "seu destino". Assim, o rei é desculpabilizado pelo poeta e a culpa da triste sorte de D. Inês é imputada ao povo e ao seu próprio destino.Os algozes "arrancam as espadas" e preparam-se para executar a sentença. Repare-se no tom reprovador dado pela interrogação final da estância. Os seus carrascos são denominados "carniceiros".
Estância 131Nesta estância o poeta estabelece uma relação entre este caso trágico e a história da "linda moça Polycena". Esta era filha de Príamo e de Hécuba e casou-se secretamente com Aquiles. No entanto, foi imolada sob o altar de Aquiles por Pirro, filho de outro casamento de Aquiles. Esta referência clássica é uma longa comparação entre a situação de D. Inês e a situação vivida por Polycena.
Estância 132 Esta estância reitera a ideia expressa já na segunda parta da estância 130, em que há uma condenação do assassinos de D. Inês. Aqui, os mesmos são apelidados de "brutos matadores". Note-se ainda na bela imagem que o poeta nos apresenta para retratar a morte de D. Inês: o sangue desta personagem faz encarniçar as "brancas flores".Há, ainda, a referir os castigos que os seus algozes irão sofrer nas mãos de D. Pedro. Estes, no entanto, não estão cientes ("não cuidados") dos mesmos.
Estâncias 133 e 134A invocação e personificação do "Sol", a comparação da sua execução com a clássica e cruel "mesa da Tiestes" em que este come, sem o saber, os próprios "filhos", conferem a esta situação uma amplidão espacial e igualmente trágica.O uso da expressão "ó concavos vales", em invocação e personificação, tem como principal objectivo, fazer sobressair o grito final ("voz extrema") de D. Inês, ao chamar pelo seu amor uma última vez. Repare-se, ainda, na expressividade da comparação entre a "morta ... donzela" e a "bonina ... maltratada". Do mesmo modo que a referida flor sucumbiu ao corte e agora se encontra murcha e sem cor, também D. Inês faleceu, encontra-se "pálida". Repare-se, de igual modo, na descrição de D. Inês: "Secas do rosto as rosas e perdida / A branca e viva cor, co a doce vida".
Estância 135Temos referência, nesta estância, ao modo como a Fonte dos Amores foi criada: esta foi o resultado das "lágrimas choradas", pela morte de D. Inês, durante muito tempo pelas "filhas do Mondego". Finalmente, os próprios leitores são convidados a contemplar a "fresca fonte que rega as flores".
Estância 136Tal como o poeta já tinha prometido "Não correu muito tempo que a vingança / Não visse Pedro das mortais feridas / Que, em tomando do Reino a governança, / A tomou dos fugidos homicidas." Os três algozes (Álvaro Gonçalves, Diogo Lopes Pacheco e Pêro Coelho), que haviam fugido para Castela, são entregues por D. Pedro I de Castela a D. Pedro I de Portugal, quebrando o juramento que havia feito a seu pai, em Canaveses. Por esse motivo, o poeta refere que este acto é um "concerto ... duro e injusto", até porque atenta contra a vida humana. Esta situação é comparada às traições da Antiguidade Clássica. Há a alusão a um episódio da História de Roma: Lépido, António e Augusto fizeram um acordo de paz do qual fez parte a publicação do nome dos inimigos de cada um.Com este acordo, dois dos assassinos são apanhados e duramente castigados.
Estância 137Nesta última estância do episódio de D. Inês de Castro, encontramos a justificação do cognome atribuído a D. Pedro I de Portugal, "o Justiceiro". Assim, este Rei era extremamente rigoroso ao castigar todos os tipos de crime, especialmente roubos ("latrocínios"), assassinatos e adultérios.
Nota Final:É de salientar que a morte de D. Inês é apresentada como o assassínio de uma inocente. O poeta não apresenta as razões de Estado que levaram a que esta situação ocorresse.

Género épico - Os lusíadas - episódio de Inês de Castro - a paráfrase

Paráfrase do episódio de Inês de Castro (Canto III)
118
Depois da vitória do Salado sobre os Mouros e regressado a Portugal para festejar a paz conseguida com esta guerra,
deu-se o caso triste e digno de memória, que até os mortos revolta, daquela miserável que depois de ser morta foi rainha
(Inês de castro).
119
O poeta apresenta-nos o Amor como o grande culpado da morte de Inês, como se fosse a sua pior inimiga.
Dizem que a sede de amor nem com lágrimas se satisfaz: ela exige sacrifícios humanos nos seus altares.
120
Inês estava a viver tranquilamente os anos da sua juventude e o seu amor por Pedro
nos saudosos campos do Mondego onde confessava à natureza o amor que pelo dono do seu coração.
121
Na ausência do seu amado socorre-se das lembranças: de noite em sonhos; de dia em pensamentos.
Para ele isto eram memórias de alegria.
122
Pedro recusa-se a casar com outras belas senhoras e princesas porque o seu amor por Inês fá-lo desprezar os outros.
Vendo esta conduta apaixonada e estranha, o pai, D. Afonso IV, considerando o murmurar do povo e a atitude do filho que não se queria casar...
123
... decide a morte de Inês para desse modo libertar o filho, preso pelo amor, julgando que o sangue de uma morte infamante apagasse o fogo desse amor.
Que loucura foi essa, que permitiu que a mesma espada que combateu os Mouros se levante contra uma dama delicada?
124
O rei inclina-se a perdoar a Inês quando é levada pelos carrascos à sua presença, mas o povo, com razões falsas e firmes, exige a morte.
Ela, com palavras inspiradas mais pela por de deixar os filhos e o seu príncipe que pelo receio da própria morte...
125
... levanta os olhos (as mãos estavam a ser atadas pelos carrascos) e depois de olhar comovidamente os filhinhos que estavam junto de si, disse para o rei e avô:
126
Se até os animais ferozes, que a natureza fez cruéis, e nas aves selvagens que só pensam em caçar, vimos haver piedade para com crianças pequenas como aconteceu com a mãe de Nino e com Rómulo e Remo,
127
... tu que és humano (se é humano matar uma donzela fraca e sem força, só por amar quem a ama), tem em consideração estas criancinhas. Decide compaixão delas e minha pois não te impressiona a minha inocência.
128
E se na guerra contra os Mouros mostraste saber dar a morte, sabe, agora, dar a vida a quem não cometeu nenhum erro para a perder.
Mas mesmo assim se achas que a minha inocência merece castigo, desterra-me para a fria Cítia ou a Líbia ardente onde viverei em sofrimento para sempre.
129
Manda-me para onde haja tigres e leões (animais selvagens) e verei se encontro entre eles a piedade que não encontrei entre humanos; e aí criarei estas criancinhas, a minha única consolação, a pensar em Pedro que amo.
130
O rei queria perdoar-lhe, impressionado com aquelas palavras, mas o pertinaz povo e o Destino não perdoam.
Os que aconselharam a morte e julgando que estavam a fazer um grande feito desembainharam as espadas.
É contra uma dama indefesa que vos amostrais valentes e cavaleiros?
131
Do mesmo modo que Pirro prepara o ferro para matar a jovem Policena, que se oferece ao sacrifício, com os olhos postos em sua mãe, de quem era a sua única consolação...
132
... assim os algozes de Inês, sem se preocuparem com a vingança de D. Pedro, se encarniçavam contra ela, espetando as espadas no colo de alabastro, que sustinha as obras que fizeram Pedro apaixonar-se por ela, e banhando em sangue o colo de alabastro já regado com lágrimas suas.
133
Bem puderas, ó Sol, não ter brilhado naquele dia, como aconteceu com o sinistro banquete em que Atreu deu a comer a Tiestes os filhos deste.
E vós, côncavos vales, que ouvistes o nome de Pedro, na sua voz agoniante, por muito tempo fizestes eco do nome.
134
Assim como a bonina que é cortada antes do tempo por uma menina descuidada fazendo com que a flor murche rapidamente, também aconteceu o mesmo a Inês que perdeu a cor e a vivacidade da pele.
135
A natureza chorou durante muito tempo a sua morte e quis eternizá-la na fonte das lágrimas que ainda existe.

Género épico - Os lusíadas - episódio de Inês de Castro - história e lenda

INÊS DE CASTRO
A história e a lenda
O Infante D.Pedro (1230-1367) era casado com D.Constança, mantendo, no entanto, uma ilícita relação amorosa com D.Inês, de quem tinha três filhos. Dada a ascendência castelhana de D.Inês, o Rei D.Afonso IV e os seus conselheiros viam, nesta relação, um potencial perigo para a independência nacional.
Inicialmente, o rei D. Afonso IV tentou pôr fim a tal relação, expulsando D. Inês de Castro do reino. Esta, no entanto na fronteira espanhola, continuando a manter contacto com D. Pedro. A situação agravou-se quando D. Constança morreu. D. Pedro, agora viúvo, fez regressar D. Inês à corte, contra ordem expressa de seu pai, D. Afonso IV.
Em Coimbra, aproveitando a ausência de D.Pedro numa caçada, D.Inês foi morta pelos conselheiros (Diogo Lopes Pacheco, Pêro Coelho e Álvaro Gonçalves), por ordem do Monarca.
Mais tarde, quando D.Pedro I subiu ao trono, mandou matar aqueles conselheiros, vingando a morte de D. Inês, executando de modo cruel os ex-conselheiros do seu pai, na altura refugiados em Espanha. Diz a lenda que retirou o coração, a um, pelas costas, a outro, pelo peito. O terceiro conseguiu refugiar-se em Castela. Reza, ainda, a lenda que D.Pedro coroou D.Inês rainha depois de morta.
A reabilitação da figura de D. Inês completou-se com a transferência do seu cadáver, de Coimbra para o mosteiro de Alcobaça, numa cerimónia que se revestiu de uma imponência nunca presenciada em Portugal.
A trágica história de D. Pedro e D. Inês inspirou poetas, dramaturgos, compositores e artistas plásticos, em Portugal e no estrangeiro. Camões foi um dos escritores a celebrar a lenda, referida em Os Lusíadas . De entre a vasta lista de obras que tratam o tema destacam-se Castro , de António Ferreira (tragédia), Inês de Castro na Poesia e na Lenda, de António Lopes Vieira, e ainda as célebres Trovas à Morte de D. Inês de Castro, de Garcia de Resende, publicadas no Cancioneiro Geral.

Género épico - Os lusíadas - episódio de Inês de Castro - contextualização


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terça-feira, 4 de maio de 2010

Género épico - Os Lusíadas -

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Género épico - Os Lusíadas - resumo

Género épico - Os Lusíadas - Testes resolvidos

1º teste

Ficha formativa - O Consílio dos Deuses
I — Interpretação Textual
Lê as estrofes 19 a 42 do Canto I de Os Lusíadas. Em seguida responde, de forma completa e bem estruturada, ao questionário apresentado.
1. A estrofe 19 dá início à Narração. Lê-a atentamente e identifica:· a acção que aí se enuncia,· as personagens envolvidas;· o espaço em que se situam.
1.1. Sendo a Viagem o plano fulcral, porque não se inicia a narração com a partida das naus? (Se necessário, consulta a ficha informativa da página 188.)
2. Na estância 20, começa o Consílio dos deuses no Olimpo.
2.1. Repara nas referências temporais que introduzem as estrofes 19 e 20. O que te dizem quanto ao tempo em que se desenrolam os dois planos narrativos?
3. Uma leitura atenta do episódio do Consílio dos Deuses (ests. 20-41) permite-te identificar todos os aspectos, de maior ou menor importância, desta reunião:
3.1. Onde se realizou?
3.2. Por quem foi convocada e presidida?
3.3. Como se processou a convocatória dos participantes?
3.4. Quem constituía esta assembleia?
3.5. Qual o critério de distribuição dos membros pela sala?
3.6. Qual o objectivo desta sessão do Consílio?
3.7. Qual a decisão, previamente tomada, que Júpiter tem para anunciar à assembleia?
3.8. Em que fundamenta essa sua decisão?
3.9. Baco, apoiado por alguns deuses, constitui a força oponente aos desígnios de Júpiter. Que razões o movem?
3.10. Vénus lidera as forças que apoiam (adjuvantes) a decisão de Júpiter. O que justifica esse apoio?
3.11. Marte desempenha um papel fundamental no desenlace do conflito gerado entre as duas forças.· Que argumentos utiliza para convencer Júpiter a resolver de vez o conflito?· Que motivações não confessadas estarão na base da posição assumida pelo deus da guerra?
3.12. Qual a deliberação final do Consílio?

II — Funcionamento da Língua
1. Transcreve deste episódio versos em que o poeta recorre à perífrase para referir: Mercúrio, Júpiter, o Oceano Índico, os poetas.
2. Fazendo as alterações necessárias, substitui os segmentos destacados pela conjugação perifrástica, respeitando as ideias expressas nas frases e as indicações dadas.a. Baco apresentou os seus argumentos. (começar + infinitivo)b. Os portugueses navegavam perto de Moçambique. (ir + gerúndio)
3. Transcreve e classifica a oração subordinada, em cada uma das frases apresentadas.a. Baco sabia que a sua proposta não seria aceite.b. Marte, que apoiava a proposta de Júpiter, pôs fim à discussão.c. Marte deu uma pancada tão forte, que o Sol perdeu um pouco da sua intensidade.d. Como Marte sentia uma antiga paixão por Vénus, não hesitou em apoiá-la.
4. Baco discutia acaloradamente.Procedendo às alterações que consideres necessárias, acrescenta à frase uma oração:a. subordinada concessiva;b. coordenada adversativa.
5. Júpiter, o pai dos deuses, deu o consílio por encerrado.
5.1. Analisa sintacticamente a frase.5.2. Redige uma frase onde o adjectivo «encerrado» tenha a função de predicativo do sujeito.

SOLUÇÕESI — Interpretação Textual

1. A acção enunciada nesta estrofe é a viagem de descoberta do caminho marítimo para a Índia. As personagens envolvidas, embora não estejam nomeadas, são os que «navegavam», os que «vão cortando as marítimas águas», ou seja, os navegadores portugueses. Não é especificado o local exacto em que se encontram, pois refere-se apenas que estão no «largo Oceano», mas presume-se, pela leitura da estrofe 42, que os portugueses estejam entre a costa sudeste africana e a ilha de Madagáscar.
1.1. A narração não se inicia com a partida de Lisboa porque, de acordo com as normas da epopeia, esta parte da obra deve começar por um momento já avançado da acção.
2. As referências temporais dadas por «já» e «quando» indicam que os dois planos narrativos — o mitológico e o da viagem — se desenrolam em simultâneo.
3.1. O Consílio, ou a reunião dos deuses, realizou-se no Olimpo.
3.2. A reunião foi convocada e presidida por Júpiter.
3.3. Os participantes na reunião foram convocados através de Mercúrio, o mensageiro dos deuses.
3.4. A assembleia era constituída pelos deuses que governavam os Sete Céus.
3.5. Júpiter, que presidia à reunião, estava num assento de estrelas e os restantes deuses estavam sentados num plano inferior. Os assentos mais próximos do trono de Júpiter, os lugares de honra, eram ocupados pelos deuses mais antigos; os outros participantes iam-se dispondo em lugares sucessivamente mais baixos, de acordo com a sua importância.
3.6. O objectivo desta sessão era dar a conhecer uma decisão que Júpiter tomara e ouvir a opinião dos participantes.
3.7. A decisão que Júpiter tem para anunciar é que pretende ajudar os marinheiros portugueses a chegar à Índia, e, como tal, determina que sejam recebidos como amigos na costa africana, para poderem descansar e reabastecer-se antes de prosseguirem viagem.
3.8. Júpiter fundamenta a sua decisão no facto de os navegantes já terem passado nas águas um duro Inverno, já terem enfrentado perigos imensos e estarem, portanto, exaustos.
3.9. Baco não quer que os portugueses cheguem à Índia para não perder a fama, a glória, o prestígio que tem nas terras do Oriente.
3.10. O que justifica esse apoio é o facto de Vénus gostar dos portugueses, por ver neles qualidades semelhantes às dos romanos, povo que lhe é tão querido (os romanos são descendentes do seu filho Eneias). Entre essas qualidades, destacam-se a bravura e a língua, que é muito semelhante ao latim. Além disso, a deusa do amor e da beleza também foi informada pelas Parcas, deusas do destino, que «há-de ser celebrada» nas terras onde os portugueses chegarem, interessando-lhe, pois, que os navegadores alcancem o Oriente.
3.11. Marte diz a Júpiter que não deve dar ouvidos a Baco, pois a sua opinião é suspeita. O que motiva o deus do vinho contra os portugueses não é nenhuma razão válida, mas sim a inveja, o medo de perder a fama. Por outro lado, Marte procura convencer Júpiter de que é sinal de fraqueza voltar atrás após a tomada de uma decisão.
3.12. A deliberação final do consílio é a de ajudar os portugueses, como Júpiter tinha decidido.
II — Funcionamento da Língua
1. Para referir Mercúrio, o poeta utiliza a perífrase «neto gentil do velho Atlante» (est. 20). Júpiter aparece designado Como «o Padre […] que vibra os feros raios de Vulcano» (est. 22). O Oceano Índico é o «mar que vê do Sol a roxa entrada» (est. 28). Os poetas são referidos como «quantos bebem a água de Parnaso» (est.32).
2.a. Baco começou a apresentar os seus argumentos.b. Os portugueses iam navegando.
3.a. que a sua proposta não seria aceite — oração subordinada integrante ou completiva (funciona como CD da oração subordinante).b. que apoiava a proposta de Júpiter — oração subordinada relativa explicativa (o antecedente do pronome relativo é Marte).c. que o Sol perdeu um pouco da sua intensidade — oração subordinada consecutiva (apresenta uma consequência da acção expressa na oração subordinante).d. Como Marte sentia uma antiga paixão por Vénus — oração subordinada causal (como = visto que, porque)
4.a. Baco discutia acaloradamente, embora respeitasse a opinião de Vénus.b. Baco discutia acaloradamente, apesar disso poucos o escutavam.
5.5.1. «Júpiter« — sujeito (simples); «o pai dos deuses» — aposto; «dos deuses» — complemento determinativo; «deu o consílio por encerrado» — predicado; «o consílio» — complemento directo; «por encerrado» — predicativo do complemento directo.
5.2. O estabelecimento está encerrado. (O verbo é, necessariamente, copulativo.)

Género épico - Os Lusíadas - Actividades

Os Lusíadas em geral
http://www.deemo.com.pt/exercicios/pt/9/lp_lusiadas3.htm

http://cvc.instituto-camoes.pt/jogoemlinha/conhecimentos/lusiadas.html

http://www.malhatlantica.pt/lpo/JOAOV/Lusiadocruzada.htm

http://www.malhatlantica.pt/saobruno/formacaotic/hotpotatoes/Os%20lusiadasaosquadradinhos.htm

http://www.anossaescola.com/idanha/ficheiros/recursos/JCrossLusiadas.htm

http://oficinaformacao.no.sapo.pt/trabalhos/anabela_paula_rute/camoes_cruzadas.htm

http://agsbmessines.sytes.net/web/passatempo/lpo/9/epopeia/consilio_1.htm



Forma

http://agsbmessines.sytes.net/web/passatempo/lpo/9/epopeia/obra_forma_1.htm

Proposição

http://agsbmessines.sytes.net/web/passatempo/lpo/9/epopeia/proposicao_1.htm

http://agsbmessines.sytes.net/web/passatempo/lpo/9/epopeia/consilio_1.htm


Consílio Dos Deuses

http://www.eccn.edu.pt/professores/marla_madruga/quiz%20cons%C3%ADlio%20dos%20deuses.htm

http://www.navegar.com.pt/navegar2_quiz/port_3_ciclo/lusiadas.htm


figuras de estilo

http://mariapoesia.tripod.com/JCross.htm

Género épico - Os Lusíadas e Os Deuses

Género épico - Os Lusíadas - para o teu estudo

Tens aqui uns bons apontamentos para o teu estudo sobre Os Lusíadas.

http://oslusiadas.no.sapo.pt/indice.html

Género épico - Os Lusíadas - Actividades

Os Lusíadas, de Luís de Camões (adaptação de João de Barros)

Questionário

http://www.anossaescola.com/idanha/ficheiros/recursos/QuizLus%C3%ADadas_1.htm

Os Lusíadas
Análise Canto I

O poeta indica o assunto global da obra, pede inspiração as Ninfas do Tejo e dedica o poema ao rei D. Sebastião. Na estrofe 19 inicia a narração da viagem de Vasco da gama, referindo brevemente que a armada já se encontra no Oceano Índico, no momento em que os deuses do Olimpo se reúnem, em Consílio convocado por Júpiter, para decidirem se os Portugueses deverão chegar á Índia. Apesar da oposição de Baco e graças á intervenção de Vénus e Marte, a decisão é favorável aos Portugueses que entretanto cheguem à Ilha de Moçambique. Aí, Baco prepara-lhes várias ciladas que culminam no fornecimento de um piloto por ele industriado a conduzi-los ao perigoso porto de Quiloa. Vénus intervém, afastando a armada do perigo e fazendo-a retomar o caminho certo ate Mombaça. No final do Canto, o Poeta reflecte acerca dos perigos que em toda a parte espreitam o homem.
As armas e os barões assinalados
Que da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;
E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis, que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando;
E aqueles, que por obras valerosas
Se vão da lei da morte libertando;
Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.

Cessem do sábio Grego e do Troiano
As navegações grandes que fizeram;
Cale-se de Alexandro e de Trajano
A fama das vitórias que tiveram;
Que eu canto o peito ilustre Lusitano,
A quem Neptuno e Marte obedeceram:
Cesse tudo o que a Musa antígua canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.

Reflexão:
A proposição permite ao poeta enunciar o propósito de cantar aos feitos alcançados pelos heróis portugueses, apresentando-os com heróis colectivos mistificados que se superiorizar em relação aos heróis da antiguidade clássica.

E vós, Tágides minhas, pois criado
Tendes em mim um novo engenho ardente,
Se sempre em verso humilde celebrado
Foi de mim vosso rio alegremente,
Dai-me agora um som alto e sublimado,
Um estilo grandíloquo e corrente,
Porque de vossas águas, Febo ordene
Que não tenham inveja às de Hipoerene.

Dai-me uma fúria grande e sonorosa,
E não de agreste avena ou frauta ruda,
Mas de tuba canora e belicosa,
Que o peito acende e a cor ao gesto muda;
Dai-me igual canto aos feitos da famosa
Gente vossa, que a Marte tanto ajuda;
Que se espalhe e se cante no universo,
Se tão sublime preço cabe em verso.

Reflexão:
O poeta pede inspiração às Tágides, entidades míticas nacionais. É significativa a valorização do estilo épico, por comparação com o estilo lírico, pois, é o mais adequado à grandeza dos feitos dos heróis que vai contar.

Camões dedica a sua obra ao Rei D. Sebastião a quem louva por aquilo que ele representa para a independência de Portugal e para a dilatação do mundo cristão; louva-o ainda pela sua ilustre e cristianíssima ascendência e ainda pelo grande império de que é Rei (estrofes 6, 7 e 8).
Segue-se uma segunda parte que constitui o apelo dirigido ao Rei: “referindo-se com modéstia á sua obra, pede ao rei que a leia; na breve exposição que faz do assunto, o poeta evidencia que a sua obra não versava heróis e factos lendários ou fantasiosos, mas sim matéria história real (estrofes 9 a 14)
Termina o seu discurso incitando o Rei a dar continuidade aos feitos gloriosos dos portugueses, combatendo os mouros e invocando depois o pedido de que leia os seus versos (estrofes 15 a 18).
Consílio dos Deus no Olimpo
A narração começa com o plano central (estrofe 19), logo interrompido pela inclusão do plano mitológico (estrofe 20).
Neste consílio, presidido por Júpiter, o pai dos deuses pretende dar conhecimento á assembleia da sua determinação em ajudar os portugueses a chegar à Índia, conforme estava predestinado pelo “fado”. Júpiter justifica a sua decisão elogiando as proezas históricas do povo português e a coragem com que agora procuram dominar os mares desconhecidos. Há vários aspectos que contribuem para o engrandecimento do herói nacional, neste episódio:
· A admiração do “grande valor” e da “forre gente de Luso” manifestada por Júpiter;
· Temor de Baco de que o perder dos portugueses destrua o seu poder no oriente, fazendo esquecer “seus feitos”;
· O carinho e a afeição de verbos pela “gente Lusitana”, de “fortes corações” e “grande estrela”;
· O respeito pela “gente forte” revelado por Marte.

Género épico - Os Lusíadas - A estrutura externa e interna

Os Lusíadas Estrutura Interna e Externa


A estrutura externa
O poema está escrito em versos decassílabos, com predomínio do decassílabo heróico (acentos pa 6ª e 10ª sílabas). É considerado o metro mais adequado á poesia épica, pelo seu ritmo grave e vigoroso. Surgem também alguns raros exemplos de decassílabo sáfico (acentos na 4ª, 8ª e 10ª sílaba).
· As estrofes são de oito versos e apresentam o seguinte esquema rimático – “abababcc” ( a este tipo estrófico costuma chamar-se oitava rima, oitava heróica ou oitava italiana)
· As estrofes estão distribuídas por 10 cantos. O número de estrofes por canto vario de 87, no canto VII, a 156 no canto X. No seu conjunto, o poema apresenta 1102 estrofes.

A estrutura interna

1. As partes constituintes
Os Lusíadas constroem-se pela sucessão de quatro fontes:
· Proposição – parte introdutória, na qual o poeta anuncia o que vai cantar (Canto I, estrofes 1-3)
· Invocação – pedido de ajuda as divindades inspiradores (A principal invocação é feita as Tágides, no canto I, estrofes 4 e 5, ás Ninfas do Tejo e do Mondego, no canto VII 78-82 e, finalmente, a Calíope, no Canto X, estrofe 8)
· Dedicatória – oferecimento do poema a uma personalidade importante. (Esta parte, facultaria, pode ter origem nas Geórgicas de Virgilio ou nos Fastos de Ovídio; não existe em nenhuma das epopeias da Antiguidade)
· Narração – parte que constitui o corpo da epopeia; a narrativa das acções levadas a cabo pelo protagonista. (Começando no Canto I, estrofe 19, só termina no Canto X, estrofe 144, apresentando apenas pequenas interrupções pontuais).

2. Os planos narrativos

Obra narrativa complexa, Os Lusíadas constroem-se através da articulação de quatro planos narrativos, não deixando, ainda assim, de apresentar uma exemplar unidade de acção.
Como plano narrativo fuleral apresenta-nos a viagem de Vasco da Gama à India. Continuamente articulado a este e paralelo a ela, surge um segundo plano que diz respeito à intervenção dos deuses do Olimpo na Viagem. Encaixado no primeiro plano, tem lugar um terceiro, que é constituído pela História de Portugal, contada por Vasco da Gama ao rei de Melindo, para Paulo da Gama e por entidades dividas que vaticinam futuros feitos dos Portugueses. Não podemos esquecer o quarto plano que é o do Poeta.

Género épico - a epopeia e as suas características

Características da Epopeia
A epopeia remonta á Antiguidade grega e latina e tem como exponentes máximos a Ilíada e a Odisseia, poemas gregos atribuídos a Homero, poema de Roma da autoria de Virgilio.
A epopeia é um género narrativo em verso.
Como qualquer narrativa tem uma acção que envolve personagens situadas num determinado espaço e tempo. No entanto, a narrativa épica tem características específicas.
A Aristóteles, filósofo grego do século III a.C, se deve o primeiro estudo sistemático sobre Poesia. A sua Poética (de que se perdeu parte do texto) contém, tal como a conhecemos, um estudo sobre a Tragédia e a Epopeia e uma comparação entre estes dois gémeos literários. È pois um texto fundamental para estes dois gémeos literários. É pois um texto fundamental para a definição de epopeia, sendo as de Homero apresentadas como modelo. No século I a.C, o poeta latino Horácio, na sua Arte Poética, redefiniu algumas regras e, finalmente, no Renascimento, as poéticas de Aristóteles e Horácio foram retomadas e completadas de acordo com os valores de então. Segundo o cânone, são varias as normas que presidem á epopeia:
· a acção épica – deve ter grandeza e soleniade, deve ser a expressão do heroísmo;
· o protagonista – (rei, grande dignitário , herói), além da sua alta estirpe social, deve revelar grande valor moral;
· o inicio de Narração apresenta-nos a acção já numa fase adiantada (“in media res”)
· a epopeia deve ter unidade de acção (assim, para não quebrar a unidade de acção, as narrações retrospectivas e as profecias surgem frequentemente nas epopeias para contare factos passados e futuro em relação a acção fulcral; Aristoteles cita o exemplo de Homero que não conta, na Ilíada, a Guerra de Troía com a sua diversidade de acontecimentos, mas situa a acção numa fase já adiantada do conflito e, sob a forma de episódios, apresenta um grande numero de ouros factos já passados);
· os episódios não só dão á epopeia extensão, como a enriquecem sem quebrar a unidade da acção;
· o maravilhoso (intervenção dos deuses) deve intervir na acção da epopeia;
· o género épico utiliza o modo narrativo; o poeta narra em seu próprio nome ou assumindo personalidades diversas;
· a intervenção do poeta, tecendo considerações em seu próprio nome deve ser reduzida. (Mais uma vez é referido o exemplo de Homero que, depois de um curto preâmbulo – Invocação e Proposição – passa de imediato á Narração)
· de acordo com as poéticas do renascimento, a epopeia deve ser escrita num estilo solene e grandioso, de acordo com a natureza heróica dos factos narrados. Deve também ser escrita em verso decassilábico.