terça-feira, 25 de maio de 2010

Género épico - Os lusíadas - episódio de Inês de Castro com música

Género épico - Os lusíadas - episódio de Inês de Castro - actividade

http://agsbmessines.sytes.net/web/passatempo/lpo/9/epopeia/castro_1.htm

Género épico - Os lusíadas - episódio de Inês de Castro - questionário 2

Algumas questões sobre o episódio.

Determina os momentos da evolução psicológica de D. Afonso IV, ao longo do episódio.
Reflecte sobre a culpabilidade de D. Afonso IV no assassinato.
Explica a evolução da palavra capela (134, v. 4).
Analisa a estrofe 119, do ponto de vista estilístico.
Expõe os argumentos a que recorre Inês para dissuadir o rei de a mandar matar.
Explica o papel dos comentários, do poeta tendo em conta a influência da tragédia clássica.





No início, D. Afonso IV manifesta uma certa prudência, respeitando o murmurar do povo e a fantasia / Do filho que casar-se não queria (122, vv. 6-7). Por isso, decide matar Inês. No entanto, quando os algozes a trazem parente o rei, este mostra-se já movido a piedade (124, v. 2). O discurso de Inês provoca uma certa hesitação no rei que queria perdoar-lhe, movido das palavras que o magoam (130, v. 2), mas acaba por manter a sua decisão, por um lado, devido à insistência do povo e dos seus conselheiros, por outro, por influência do Destino trágico que persegue Inês.

Ao longo do episódio, vai-se assistindo a um processo de desculpabilização de D. Afonso IV. As culpas vão sendo atribuídas ao Amor, ao povo, aos conselheiros e ao Destino, acentuando-se a hesitação e a piedade do rei.
O Amor surge como causa principal da morte de Inês, assim como o Destino, o que atenua a intervenção de D. Afonso IV (130). Por outro lado, este terá sido influenciado pelo murmurar do povo (122, v. 7) que o persuade a matar Inês e palos algozes que por bom tal feito ali apregoam (130, v. 6).

No Séc. XVI significava pequena capa ou grinalda. Com o evoluir dos tempos, passou a ser atribuída pequenos santuários, igrejas ou ermidas (evolução semântica).
Percebe-se essa evolução (semântica), pois em ambas as épocas o conceito estava relacionado com a ideia de protecção.

Na perspectiva do poeta, o verdadeiro culpado da tragédia relatada neste episódio é o Amor. Nesta estrofe, o poeta dirige-se ao Amor utilizando a apóstrofe e a personificação: Tu, só tu, puro Amor. Este sentimento é caracterizado através de uma adjectivação antitética que acentua o seu carácter contraditório: por uma lado é puro, mas por outro é fero, áspero e tirano.

Para demover o rei do seu intento sanguinário, Inês denuncia a crueldade dos homens, opondo-a à compaixão dos animais pelas crianças. Em seguida, invoca a sua fraqueza, a sua inocência e a orfandade dos seus filhos.Pede clemência ao rei que, sabendo dar a morte, deve também saber dar a vida. Por último, sugere o exílio como alternativa à sua morte.

Na tragédia clássica, há um coro que vai comentando o desenrolar da acção. Neste episódio, é Camões que desempenha o papel de coro, culpando o Amor pelo desenlace trágico, como se pode verificar na estrofe 119.
Nos últimos quatro versos da estrofe 123 e nos dois últimos da estrofe 130, o poeta mostra a sua indignação, através de interrogações retóricas.
A partir na altura da morte de Inês é, mais uma vez o poeta/coro que faz a comparação entre a morte desta e a situação de Policena e da bonina.
Finalmente, na est. 135, apresenta-nos a natureza a chorar a morte de Inês.

Género épico - Os lusíadas - episódio de Inês de Castro - questionário1

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Género épico - Os lusíadas - episódio de Inês de Castro - análise

Análise pormenorizada.

Estância 118Encontramos nesta estância uma referência histórica às terras ganhas pelosportugueses na Batalha do Salado.Este combate travou-se a 30 de Outubro de 1340, junto do rio Salado; era a resposta cristã a uma contra-ofensiva marroquina para recuperar território peninsular, feita a partir de Gibraltar e Algeciras. Ao rei português D. Afonso IV, desde então conhecido por o Bravo, coube defrontar o rei de Granada, aliado dos marroquinos. A vitória portuguesa e espanhola foi celebrada por ambos os reinos e elevada a exemplo emblemático da cruzada cristã contra os sarracenos. O poeta depois de ter cantado a bravura de D. Afonso IV na vitória de Salado, volta-se para um caso com carga sociotrágica de um amor infeliz da "misera e mesquinha / que despois de morta foi rainha". É após esta referência histórica que é "desenterrado" o caso "triste e dino" de D. Inês. de Castro.
Estância 119É visível nesta estância uma invocação e personificação do "fero amor" que põe extremamente em relevo o amor como força devastadora para os "corações humanos" e causador de muitas "lágrimas". O amor é denominado como "áspero e tirano" e é comparado a uma "pérfida inimiga". Nota-se ainda nesta estância que foi esta a causa principal da morte de D. Inês de Castro ("Deste causa à molesta morte sua").
Estâncias 120 e 121Por oposição, aparece na estância 120 a descrição do estado feliz dos dois amantes, nas terras do Mondego ("saudosos campos do Mondego"). Estes surgem apaixonados, no entanto, o poeta logo nos avisa que esse amor é somente "engano da alma ledo e cego". Por esse motivo, por ser tão traiçoeiro e cruel o amor nunca perdurará. Até porque "a fortuna não [o] deixa durar muito".Podemos encontrar nestas duas estâncias (120 e 121) uma imagem expressiva, com contornos líricos, que faz ressaltar o sentimento amoroso: as lágrimas choradas, a presença de confidentes ("aos montes insinando e às ervinhas"), as lembranças de seu amor, a vivência através de recordações, pensamentos, de dia, e "doces sonhos", à noite. No entanto, estas lembranças são apenas memórias de felicidade, pois o poeta já nos havia "avisado" da efemeridade do amor.
Estância 122Esta estância trata da combinação do casamento de D. Pedro com diversas "senhoras e Princesas" que este, no entanto, rejeita pelo "puro amor" que sente por D. Inês. Surge então a figura do Rei, D. Afonso IV ("velho pai sesudo"), sensato e prudente começa a ouvir os murmúrios do povo que começa a estranhar esta situação.
Estância 123Por esse motivo "tirar Inês ao mundo determina". Aparece-nos concretamente, pela primeira vez, o desfecho que este caso trágico terá. Repare-se na reflexão incutida pelo poeta ao leitor pela interrogação retórica sobre o uso da espada. Esta foi utilizada na luta contra o "furor mauro" e será, agora, utilizada para assassinar uma "fraca dama delicada". Esta contraposição surge-nos como uma reflexão/crítica do poeta que denomina este acto de loucura ("furor").
Estâncias 124 e 125Inês é levada à presença do Rei pelos "horríficos algozes". O Rei, "movido a piedade" começa a hesitar em cometer acto tão cruel. No entanto, o povo "com falsas e ferozes razões" convence-o a retomar a tarefa. Estas razões tinham, de facto motivo para existir. Historicamente, a influência da família Castro (através de D. Inês e seus irmãos) começava a preocupar o Rei. Os súbditos, cientes do perigo desta situação "levam" D. Afonso IV a confirmar a sentença proferida.D. Inês, súplica humildemente ("tristes e piedosas vozes") pela sua vida e pela de seus filhos. Mais do que a própria morte ela teme o abandono dos filhos e as saudades de D. Pedro.Assim, na estância 125, D. Inês reitera o seu medo de deixar os seus "mininos" ("queridos" e "mimosos") órfãos. Apela, por isso, a D. Afonso IV, avó dos filhos de D. Inês e D. Pedro, que não a mate.
Estâncias 126, 127, 128 e 129 (discurso de D. Inês)Este discurso, marcadamente retórico, carregado de referências mitológicas e culturais, parece esquecer a situação psicológica desesperada da personagem e parece destinar-se somente a aumentar a intensidade do drama vivido pela mesma.Do discurso de D. Inês podemos destacar a súplica que esta faz ao Rei, de modo a que ele desista do seu intento. Para tal apresenta fortes argumentos.Em primeiro lugar, notamos um contraste entre o procedimento do rei e a clemência das "brutas feras". D. Inês enumera duas situações em que seres irracionais se mostraram sensíveis à situação de seres humanos, protegendo-os: - a rainha Assíria, cuja mãe a abandonou num monte, foi protegida e alimentada por pombas, e- os irmãos Rómulo e Remo, edificadores de Roma, foram alimentados por uma loba.Em segundo lugar, D. Inês refere a situação de orfandade a que ficarão sujeitos os seus filhos. Ela teme, não pela sua própria vida, mas pelo desamparo dos seus filhos, que ainda em tenra idade ficariam sem protecção. Em terceiro lugar é referida a injustiça do acto do governante e o apelo ao seu bom senso. D. Inês refere que partindo do princípio que o Rei fora justo ao combater os mouros, deveria também ser clemente e justo com ela, cujo único erro foi apaixonar-se por D. Pedro.Finalmente, D. Inês apela ao exílio como alternativa à sua execução. Ela prefere ser posta em "perpétuo e mísero desterro", mesmo que esteja sujeita ao frio mais gelado ou ao calor mais torrido, ou mesmo à "feridade" de "leões e tigres".
Estância 130Perante este discurso, D. Afonso IV vacila "movido das palavras que o magoam" e sente-se inclinado a perdoar-lhe. Nota-se, nesta estância uma desculpabilização do Rei D. Afonso IV, a culpa da tragédia é atribuída ao "pertinaz povo" e ao "seu destino". Assim, o rei é desculpabilizado pelo poeta e a culpa da triste sorte de D. Inês é imputada ao povo e ao seu próprio destino.Os algozes "arrancam as espadas" e preparam-se para executar a sentença. Repare-se no tom reprovador dado pela interrogação final da estância. Os seus carrascos são denominados "carniceiros".
Estância 131Nesta estância o poeta estabelece uma relação entre este caso trágico e a história da "linda moça Polycena". Esta era filha de Príamo e de Hécuba e casou-se secretamente com Aquiles. No entanto, foi imolada sob o altar de Aquiles por Pirro, filho de outro casamento de Aquiles. Esta referência clássica é uma longa comparação entre a situação de D. Inês e a situação vivida por Polycena.
Estância 132 Esta estância reitera a ideia expressa já na segunda parta da estância 130, em que há uma condenação do assassinos de D. Inês. Aqui, os mesmos são apelidados de "brutos matadores". Note-se ainda na bela imagem que o poeta nos apresenta para retratar a morte de D. Inês: o sangue desta personagem faz encarniçar as "brancas flores".Há, ainda, a referir os castigos que os seus algozes irão sofrer nas mãos de D. Pedro. Estes, no entanto, não estão cientes ("não cuidados") dos mesmos.
Estâncias 133 e 134A invocação e personificação do "Sol", a comparação da sua execução com a clássica e cruel "mesa da Tiestes" em que este come, sem o saber, os próprios "filhos", conferem a esta situação uma amplidão espacial e igualmente trágica.O uso da expressão "ó concavos vales", em invocação e personificação, tem como principal objectivo, fazer sobressair o grito final ("voz extrema") de D. Inês, ao chamar pelo seu amor uma última vez. Repare-se, ainda, na expressividade da comparação entre a "morta ... donzela" e a "bonina ... maltratada". Do mesmo modo que a referida flor sucumbiu ao corte e agora se encontra murcha e sem cor, também D. Inês faleceu, encontra-se "pálida". Repare-se, de igual modo, na descrição de D. Inês: "Secas do rosto as rosas e perdida / A branca e viva cor, co a doce vida".
Estância 135Temos referência, nesta estância, ao modo como a Fonte dos Amores foi criada: esta foi o resultado das "lágrimas choradas", pela morte de D. Inês, durante muito tempo pelas "filhas do Mondego". Finalmente, os próprios leitores são convidados a contemplar a "fresca fonte que rega as flores".
Estância 136Tal como o poeta já tinha prometido "Não correu muito tempo que a vingança / Não visse Pedro das mortais feridas / Que, em tomando do Reino a governança, / A tomou dos fugidos homicidas." Os três algozes (Álvaro Gonçalves, Diogo Lopes Pacheco e Pêro Coelho), que haviam fugido para Castela, são entregues por D. Pedro I de Castela a D. Pedro I de Portugal, quebrando o juramento que havia feito a seu pai, em Canaveses. Por esse motivo, o poeta refere que este acto é um "concerto ... duro e injusto", até porque atenta contra a vida humana. Esta situação é comparada às traições da Antiguidade Clássica. Há a alusão a um episódio da História de Roma: Lépido, António e Augusto fizeram um acordo de paz do qual fez parte a publicação do nome dos inimigos de cada um.Com este acordo, dois dos assassinos são apanhados e duramente castigados.
Estância 137Nesta última estância do episódio de D. Inês de Castro, encontramos a justificação do cognome atribuído a D. Pedro I de Portugal, "o Justiceiro". Assim, este Rei era extremamente rigoroso ao castigar todos os tipos de crime, especialmente roubos ("latrocínios"), assassinatos e adultérios.
Nota Final:É de salientar que a morte de D. Inês é apresentada como o assassínio de uma inocente. O poeta não apresenta as razões de Estado que levaram a que esta situação ocorresse.

Género épico - Os lusíadas - episódio de Inês de Castro - a paráfrase

Paráfrase do episódio de Inês de Castro (Canto III)
118
Depois da vitória do Salado sobre os Mouros e regressado a Portugal para festejar a paz conseguida com esta guerra,
deu-se o caso triste e digno de memória, que até os mortos revolta, daquela miserável que depois de ser morta foi rainha
(Inês de castro).
119
O poeta apresenta-nos o Amor como o grande culpado da morte de Inês, como se fosse a sua pior inimiga.
Dizem que a sede de amor nem com lágrimas se satisfaz: ela exige sacrifícios humanos nos seus altares.
120
Inês estava a viver tranquilamente os anos da sua juventude e o seu amor por Pedro
nos saudosos campos do Mondego onde confessava à natureza o amor que pelo dono do seu coração.
121
Na ausência do seu amado socorre-se das lembranças: de noite em sonhos; de dia em pensamentos.
Para ele isto eram memórias de alegria.
122
Pedro recusa-se a casar com outras belas senhoras e princesas porque o seu amor por Inês fá-lo desprezar os outros.
Vendo esta conduta apaixonada e estranha, o pai, D. Afonso IV, considerando o murmurar do povo e a atitude do filho que não se queria casar...
123
... decide a morte de Inês para desse modo libertar o filho, preso pelo amor, julgando que o sangue de uma morte infamante apagasse o fogo desse amor.
Que loucura foi essa, que permitiu que a mesma espada que combateu os Mouros se levante contra uma dama delicada?
124
O rei inclina-se a perdoar a Inês quando é levada pelos carrascos à sua presença, mas o povo, com razões falsas e firmes, exige a morte.
Ela, com palavras inspiradas mais pela por de deixar os filhos e o seu príncipe que pelo receio da própria morte...
125
... levanta os olhos (as mãos estavam a ser atadas pelos carrascos) e depois de olhar comovidamente os filhinhos que estavam junto de si, disse para o rei e avô:
126
Se até os animais ferozes, que a natureza fez cruéis, e nas aves selvagens que só pensam em caçar, vimos haver piedade para com crianças pequenas como aconteceu com a mãe de Nino e com Rómulo e Remo,
127
... tu que és humano (se é humano matar uma donzela fraca e sem força, só por amar quem a ama), tem em consideração estas criancinhas. Decide compaixão delas e minha pois não te impressiona a minha inocência.
128
E se na guerra contra os Mouros mostraste saber dar a morte, sabe, agora, dar a vida a quem não cometeu nenhum erro para a perder.
Mas mesmo assim se achas que a minha inocência merece castigo, desterra-me para a fria Cítia ou a Líbia ardente onde viverei em sofrimento para sempre.
129
Manda-me para onde haja tigres e leões (animais selvagens) e verei se encontro entre eles a piedade que não encontrei entre humanos; e aí criarei estas criancinhas, a minha única consolação, a pensar em Pedro que amo.
130
O rei queria perdoar-lhe, impressionado com aquelas palavras, mas o pertinaz povo e o Destino não perdoam.
Os que aconselharam a morte e julgando que estavam a fazer um grande feito desembainharam as espadas.
É contra uma dama indefesa que vos amostrais valentes e cavaleiros?
131
Do mesmo modo que Pirro prepara o ferro para matar a jovem Policena, que se oferece ao sacrifício, com os olhos postos em sua mãe, de quem era a sua única consolação...
132
... assim os algozes de Inês, sem se preocuparem com a vingança de D. Pedro, se encarniçavam contra ela, espetando as espadas no colo de alabastro, que sustinha as obras que fizeram Pedro apaixonar-se por ela, e banhando em sangue o colo de alabastro já regado com lágrimas suas.
133
Bem puderas, ó Sol, não ter brilhado naquele dia, como aconteceu com o sinistro banquete em que Atreu deu a comer a Tiestes os filhos deste.
E vós, côncavos vales, que ouvistes o nome de Pedro, na sua voz agoniante, por muito tempo fizestes eco do nome.
134
Assim como a bonina que é cortada antes do tempo por uma menina descuidada fazendo com que a flor murche rapidamente, também aconteceu o mesmo a Inês que perdeu a cor e a vivacidade da pele.
135
A natureza chorou durante muito tempo a sua morte e quis eternizá-la na fonte das lágrimas que ainda existe.

Género épico - Os lusíadas - episódio de Inês de Castro - história e lenda

INÊS DE CASTRO
A história e a lenda
O Infante D.Pedro (1230-1367) era casado com D.Constança, mantendo, no entanto, uma ilícita relação amorosa com D.Inês, de quem tinha três filhos. Dada a ascendência castelhana de D.Inês, o Rei D.Afonso IV e os seus conselheiros viam, nesta relação, um potencial perigo para a independência nacional.
Inicialmente, o rei D. Afonso IV tentou pôr fim a tal relação, expulsando D. Inês de Castro do reino. Esta, no entanto na fronteira espanhola, continuando a manter contacto com D. Pedro. A situação agravou-se quando D. Constança morreu. D. Pedro, agora viúvo, fez regressar D. Inês à corte, contra ordem expressa de seu pai, D. Afonso IV.
Em Coimbra, aproveitando a ausência de D.Pedro numa caçada, D.Inês foi morta pelos conselheiros (Diogo Lopes Pacheco, Pêro Coelho e Álvaro Gonçalves), por ordem do Monarca.
Mais tarde, quando D.Pedro I subiu ao trono, mandou matar aqueles conselheiros, vingando a morte de D. Inês, executando de modo cruel os ex-conselheiros do seu pai, na altura refugiados em Espanha. Diz a lenda que retirou o coração, a um, pelas costas, a outro, pelo peito. O terceiro conseguiu refugiar-se em Castela. Reza, ainda, a lenda que D.Pedro coroou D.Inês rainha depois de morta.
A reabilitação da figura de D. Inês completou-se com a transferência do seu cadáver, de Coimbra para o mosteiro de Alcobaça, numa cerimónia que se revestiu de uma imponência nunca presenciada em Portugal.
A trágica história de D. Pedro e D. Inês inspirou poetas, dramaturgos, compositores e artistas plásticos, em Portugal e no estrangeiro. Camões foi um dos escritores a celebrar a lenda, referida em Os Lusíadas . De entre a vasta lista de obras que tratam o tema destacam-se Castro , de António Ferreira (tragédia), Inês de Castro na Poesia e na Lenda, de António Lopes Vieira, e ainda as célebres Trovas à Morte de D. Inês de Castro, de Garcia de Resende, publicadas no Cancioneiro Geral.

Género épico - Os lusíadas - episódio de Inês de Castro - contextualização


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terça-feira, 4 de maio de 2010

Género épico - Os Lusíadas -

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Género épico - Os Lusíadas - resumo

Género épico - Os Lusíadas - Testes resolvidos

1º teste

Ficha formativa - O Consílio dos Deuses
I — Interpretação Textual
Lê as estrofes 19 a 42 do Canto I de Os Lusíadas. Em seguida responde, de forma completa e bem estruturada, ao questionário apresentado.
1. A estrofe 19 dá início à Narração. Lê-a atentamente e identifica:· a acção que aí se enuncia,· as personagens envolvidas;· o espaço em que se situam.
1.1. Sendo a Viagem o plano fulcral, porque não se inicia a narração com a partida das naus? (Se necessário, consulta a ficha informativa da página 188.)
2. Na estância 20, começa o Consílio dos deuses no Olimpo.
2.1. Repara nas referências temporais que introduzem as estrofes 19 e 20. O que te dizem quanto ao tempo em que se desenrolam os dois planos narrativos?
3. Uma leitura atenta do episódio do Consílio dos Deuses (ests. 20-41) permite-te identificar todos os aspectos, de maior ou menor importância, desta reunião:
3.1. Onde se realizou?
3.2. Por quem foi convocada e presidida?
3.3. Como se processou a convocatória dos participantes?
3.4. Quem constituía esta assembleia?
3.5. Qual o critério de distribuição dos membros pela sala?
3.6. Qual o objectivo desta sessão do Consílio?
3.7. Qual a decisão, previamente tomada, que Júpiter tem para anunciar à assembleia?
3.8. Em que fundamenta essa sua decisão?
3.9. Baco, apoiado por alguns deuses, constitui a força oponente aos desígnios de Júpiter. Que razões o movem?
3.10. Vénus lidera as forças que apoiam (adjuvantes) a decisão de Júpiter. O que justifica esse apoio?
3.11. Marte desempenha um papel fundamental no desenlace do conflito gerado entre as duas forças.· Que argumentos utiliza para convencer Júpiter a resolver de vez o conflito?· Que motivações não confessadas estarão na base da posição assumida pelo deus da guerra?
3.12. Qual a deliberação final do Consílio?

II — Funcionamento da Língua
1. Transcreve deste episódio versos em que o poeta recorre à perífrase para referir: Mercúrio, Júpiter, o Oceano Índico, os poetas.
2. Fazendo as alterações necessárias, substitui os segmentos destacados pela conjugação perifrástica, respeitando as ideias expressas nas frases e as indicações dadas.a. Baco apresentou os seus argumentos. (começar + infinitivo)b. Os portugueses navegavam perto de Moçambique. (ir + gerúndio)
3. Transcreve e classifica a oração subordinada, em cada uma das frases apresentadas.a. Baco sabia que a sua proposta não seria aceite.b. Marte, que apoiava a proposta de Júpiter, pôs fim à discussão.c. Marte deu uma pancada tão forte, que o Sol perdeu um pouco da sua intensidade.d. Como Marte sentia uma antiga paixão por Vénus, não hesitou em apoiá-la.
4. Baco discutia acaloradamente.Procedendo às alterações que consideres necessárias, acrescenta à frase uma oração:a. subordinada concessiva;b. coordenada adversativa.
5. Júpiter, o pai dos deuses, deu o consílio por encerrado.
5.1. Analisa sintacticamente a frase.5.2. Redige uma frase onde o adjectivo «encerrado» tenha a função de predicativo do sujeito.

SOLUÇÕESI — Interpretação Textual

1. A acção enunciada nesta estrofe é a viagem de descoberta do caminho marítimo para a Índia. As personagens envolvidas, embora não estejam nomeadas, são os que «navegavam», os que «vão cortando as marítimas águas», ou seja, os navegadores portugueses. Não é especificado o local exacto em que se encontram, pois refere-se apenas que estão no «largo Oceano», mas presume-se, pela leitura da estrofe 42, que os portugueses estejam entre a costa sudeste africana e a ilha de Madagáscar.
1.1. A narração não se inicia com a partida de Lisboa porque, de acordo com as normas da epopeia, esta parte da obra deve começar por um momento já avançado da acção.
2. As referências temporais dadas por «já» e «quando» indicam que os dois planos narrativos — o mitológico e o da viagem — se desenrolam em simultâneo.
3.1. O Consílio, ou a reunião dos deuses, realizou-se no Olimpo.
3.2. A reunião foi convocada e presidida por Júpiter.
3.3. Os participantes na reunião foram convocados através de Mercúrio, o mensageiro dos deuses.
3.4. A assembleia era constituída pelos deuses que governavam os Sete Céus.
3.5. Júpiter, que presidia à reunião, estava num assento de estrelas e os restantes deuses estavam sentados num plano inferior. Os assentos mais próximos do trono de Júpiter, os lugares de honra, eram ocupados pelos deuses mais antigos; os outros participantes iam-se dispondo em lugares sucessivamente mais baixos, de acordo com a sua importância.
3.6. O objectivo desta sessão era dar a conhecer uma decisão que Júpiter tomara e ouvir a opinião dos participantes.
3.7. A decisão que Júpiter tem para anunciar é que pretende ajudar os marinheiros portugueses a chegar à Índia, e, como tal, determina que sejam recebidos como amigos na costa africana, para poderem descansar e reabastecer-se antes de prosseguirem viagem.
3.8. Júpiter fundamenta a sua decisão no facto de os navegantes já terem passado nas águas um duro Inverno, já terem enfrentado perigos imensos e estarem, portanto, exaustos.
3.9. Baco não quer que os portugueses cheguem à Índia para não perder a fama, a glória, o prestígio que tem nas terras do Oriente.
3.10. O que justifica esse apoio é o facto de Vénus gostar dos portugueses, por ver neles qualidades semelhantes às dos romanos, povo que lhe é tão querido (os romanos são descendentes do seu filho Eneias). Entre essas qualidades, destacam-se a bravura e a língua, que é muito semelhante ao latim. Além disso, a deusa do amor e da beleza também foi informada pelas Parcas, deusas do destino, que «há-de ser celebrada» nas terras onde os portugueses chegarem, interessando-lhe, pois, que os navegadores alcancem o Oriente.
3.11. Marte diz a Júpiter que não deve dar ouvidos a Baco, pois a sua opinião é suspeita. O que motiva o deus do vinho contra os portugueses não é nenhuma razão válida, mas sim a inveja, o medo de perder a fama. Por outro lado, Marte procura convencer Júpiter de que é sinal de fraqueza voltar atrás após a tomada de uma decisão.
3.12. A deliberação final do consílio é a de ajudar os portugueses, como Júpiter tinha decidido.
II — Funcionamento da Língua
1. Para referir Mercúrio, o poeta utiliza a perífrase «neto gentil do velho Atlante» (est. 20). Júpiter aparece designado Como «o Padre […] que vibra os feros raios de Vulcano» (est. 22). O Oceano Índico é o «mar que vê do Sol a roxa entrada» (est. 28). Os poetas são referidos como «quantos bebem a água de Parnaso» (est.32).
2.a. Baco começou a apresentar os seus argumentos.b. Os portugueses iam navegando.
3.a. que a sua proposta não seria aceite — oração subordinada integrante ou completiva (funciona como CD da oração subordinante).b. que apoiava a proposta de Júpiter — oração subordinada relativa explicativa (o antecedente do pronome relativo é Marte).c. que o Sol perdeu um pouco da sua intensidade — oração subordinada consecutiva (apresenta uma consequência da acção expressa na oração subordinante).d. Como Marte sentia uma antiga paixão por Vénus — oração subordinada causal (como = visto que, porque)
4.a. Baco discutia acaloradamente, embora respeitasse a opinião de Vénus.b. Baco discutia acaloradamente, apesar disso poucos o escutavam.
5.5.1. «Júpiter« — sujeito (simples); «o pai dos deuses» — aposto; «dos deuses» — complemento determinativo; «deu o consílio por encerrado» — predicado; «o consílio» — complemento directo; «por encerrado» — predicativo do complemento directo.
5.2. O estabelecimento está encerrado. (O verbo é, necessariamente, copulativo.)

Género épico - Os Lusíadas - Actividades

Os Lusíadas em geral
http://www.deemo.com.pt/exercicios/pt/9/lp_lusiadas3.htm

http://cvc.instituto-camoes.pt/jogoemlinha/conhecimentos/lusiadas.html

http://www.malhatlantica.pt/lpo/JOAOV/Lusiadocruzada.htm

http://www.malhatlantica.pt/saobruno/formacaotic/hotpotatoes/Os%20lusiadasaosquadradinhos.htm

http://www.anossaescola.com/idanha/ficheiros/recursos/JCrossLusiadas.htm

http://oficinaformacao.no.sapo.pt/trabalhos/anabela_paula_rute/camoes_cruzadas.htm

http://agsbmessines.sytes.net/web/passatempo/lpo/9/epopeia/consilio_1.htm



Forma

http://agsbmessines.sytes.net/web/passatempo/lpo/9/epopeia/obra_forma_1.htm

Proposição

http://agsbmessines.sytes.net/web/passatempo/lpo/9/epopeia/proposicao_1.htm

http://agsbmessines.sytes.net/web/passatempo/lpo/9/epopeia/consilio_1.htm


Consílio Dos Deuses

http://www.eccn.edu.pt/professores/marla_madruga/quiz%20cons%C3%ADlio%20dos%20deuses.htm

http://www.navegar.com.pt/navegar2_quiz/port_3_ciclo/lusiadas.htm


figuras de estilo

http://mariapoesia.tripod.com/JCross.htm

Género épico - Os Lusíadas e Os Deuses

Género épico - Os Lusíadas - para o teu estudo

Tens aqui uns bons apontamentos para o teu estudo sobre Os Lusíadas.

http://oslusiadas.no.sapo.pt/indice.html

Género épico - Os Lusíadas - Actividades

Os Lusíadas, de Luís de Camões (adaptação de João de Barros)

Questionário

http://www.anossaescola.com/idanha/ficheiros/recursos/QuizLus%C3%ADadas_1.htm

Os Lusíadas
Análise Canto I

O poeta indica o assunto global da obra, pede inspiração as Ninfas do Tejo e dedica o poema ao rei D. Sebastião. Na estrofe 19 inicia a narração da viagem de Vasco da gama, referindo brevemente que a armada já se encontra no Oceano Índico, no momento em que os deuses do Olimpo se reúnem, em Consílio convocado por Júpiter, para decidirem se os Portugueses deverão chegar á Índia. Apesar da oposição de Baco e graças á intervenção de Vénus e Marte, a decisão é favorável aos Portugueses que entretanto cheguem à Ilha de Moçambique. Aí, Baco prepara-lhes várias ciladas que culminam no fornecimento de um piloto por ele industriado a conduzi-los ao perigoso porto de Quiloa. Vénus intervém, afastando a armada do perigo e fazendo-a retomar o caminho certo ate Mombaça. No final do Canto, o Poeta reflecte acerca dos perigos que em toda a parte espreitam o homem.
As armas e os barões assinalados
Que da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;
E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis, que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando;
E aqueles, que por obras valerosas
Se vão da lei da morte libertando;
Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.

Cessem do sábio Grego e do Troiano
As navegações grandes que fizeram;
Cale-se de Alexandro e de Trajano
A fama das vitórias que tiveram;
Que eu canto o peito ilustre Lusitano,
A quem Neptuno e Marte obedeceram:
Cesse tudo o que a Musa antígua canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.

Reflexão:
A proposição permite ao poeta enunciar o propósito de cantar aos feitos alcançados pelos heróis portugueses, apresentando-os com heróis colectivos mistificados que se superiorizar em relação aos heróis da antiguidade clássica.

E vós, Tágides minhas, pois criado
Tendes em mim um novo engenho ardente,
Se sempre em verso humilde celebrado
Foi de mim vosso rio alegremente,
Dai-me agora um som alto e sublimado,
Um estilo grandíloquo e corrente,
Porque de vossas águas, Febo ordene
Que não tenham inveja às de Hipoerene.

Dai-me uma fúria grande e sonorosa,
E não de agreste avena ou frauta ruda,
Mas de tuba canora e belicosa,
Que o peito acende e a cor ao gesto muda;
Dai-me igual canto aos feitos da famosa
Gente vossa, que a Marte tanto ajuda;
Que se espalhe e se cante no universo,
Se tão sublime preço cabe em verso.

Reflexão:
O poeta pede inspiração às Tágides, entidades míticas nacionais. É significativa a valorização do estilo épico, por comparação com o estilo lírico, pois, é o mais adequado à grandeza dos feitos dos heróis que vai contar.

Camões dedica a sua obra ao Rei D. Sebastião a quem louva por aquilo que ele representa para a independência de Portugal e para a dilatação do mundo cristão; louva-o ainda pela sua ilustre e cristianíssima ascendência e ainda pelo grande império de que é Rei (estrofes 6, 7 e 8).
Segue-se uma segunda parte que constitui o apelo dirigido ao Rei: “referindo-se com modéstia á sua obra, pede ao rei que a leia; na breve exposição que faz do assunto, o poeta evidencia que a sua obra não versava heróis e factos lendários ou fantasiosos, mas sim matéria história real (estrofes 9 a 14)
Termina o seu discurso incitando o Rei a dar continuidade aos feitos gloriosos dos portugueses, combatendo os mouros e invocando depois o pedido de que leia os seus versos (estrofes 15 a 18).
Consílio dos Deus no Olimpo
A narração começa com o plano central (estrofe 19), logo interrompido pela inclusão do plano mitológico (estrofe 20).
Neste consílio, presidido por Júpiter, o pai dos deuses pretende dar conhecimento á assembleia da sua determinação em ajudar os portugueses a chegar à Índia, conforme estava predestinado pelo “fado”. Júpiter justifica a sua decisão elogiando as proezas históricas do povo português e a coragem com que agora procuram dominar os mares desconhecidos. Há vários aspectos que contribuem para o engrandecimento do herói nacional, neste episódio:
· A admiração do “grande valor” e da “forre gente de Luso” manifestada por Júpiter;
· Temor de Baco de que o perder dos portugueses destrua o seu poder no oriente, fazendo esquecer “seus feitos”;
· O carinho e a afeição de verbos pela “gente Lusitana”, de “fortes corações” e “grande estrela”;
· O respeito pela “gente forte” revelado por Marte.

Género épico - Os Lusíadas - A estrutura externa e interna

Os Lusíadas Estrutura Interna e Externa


A estrutura externa
O poema está escrito em versos decassílabos, com predomínio do decassílabo heróico (acentos pa 6ª e 10ª sílabas). É considerado o metro mais adequado á poesia épica, pelo seu ritmo grave e vigoroso. Surgem também alguns raros exemplos de decassílabo sáfico (acentos na 4ª, 8ª e 10ª sílaba).
· As estrofes são de oito versos e apresentam o seguinte esquema rimático – “abababcc” ( a este tipo estrófico costuma chamar-se oitava rima, oitava heróica ou oitava italiana)
· As estrofes estão distribuídas por 10 cantos. O número de estrofes por canto vario de 87, no canto VII, a 156 no canto X. No seu conjunto, o poema apresenta 1102 estrofes.

A estrutura interna

1. As partes constituintes
Os Lusíadas constroem-se pela sucessão de quatro fontes:
· Proposição – parte introdutória, na qual o poeta anuncia o que vai cantar (Canto I, estrofes 1-3)
· Invocação – pedido de ajuda as divindades inspiradores (A principal invocação é feita as Tágides, no canto I, estrofes 4 e 5, ás Ninfas do Tejo e do Mondego, no canto VII 78-82 e, finalmente, a Calíope, no Canto X, estrofe 8)
· Dedicatória – oferecimento do poema a uma personalidade importante. (Esta parte, facultaria, pode ter origem nas Geórgicas de Virgilio ou nos Fastos de Ovídio; não existe em nenhuma das epopeias da Antiguidade)
· Narração – parte que constitui o corpo da epopeia; a narrativa das acções levadas a cabo pelo protagonista. (Começando no Canto I, estrofe 19, só termina no Canto X, estrofe 144, apresentando apenas pequenas interrupções pontuais).

2. Os planos narrativos

Obra narrativa complexa, Os Lusíadas constroem-se através da articulação de quatro planos narrativos, não deixando, ainda assim, de apresentar uma exemplar unidade de acção.
Como plano narrativo fuleral apresenta-nos a viagem de Vasco da Gama à India. Continuamente articulado a este e paralelo a ela, surge um segundo plano que diz respeito à intervenção dos deuses do Olimpo na Viagem. Encaixado no primeiro plano, tem lugar um terceiro, que é constituído pela História de Portugal, contada por Vasco da Gama ao rei de Melindo, para Paulo da Gama e por entidades dividas que vaticinam futuros feitos dos Portugueses. Não podemos esquecer o quarto plano que é o do Poeta.

Género épico - a epopeia e as suas características

Características da Epopeia
A epopeia remonta á Antiguidade grega e latina e tem como exponentes máximos a Ilíada e a Odisseia, poemas gregos atribuídos a Homero, poema de Roma da autoria de Virgilio.
A epopeia é um género narrativo em verso.
Como qualquer narrativa tem uma acção que envolve personagens situadas num determinado espaço e tempo. No entanto, a narrativa épica tem características específicas.
A Aristóteles, filósofo grego do século III a.C, se deve o primeiro estudo sistemático sobre Poesia. A sua Poética (de que se perdeu parte do texto) contém, tal como a conhecemos, um estudo sobre a Tragédia e a Epopeia e uma comparação entre estes dois gémeos literários. È pois um texto fundamental para estes dois gémeos literários. É pois um texto fundamental para a definição de epopeia, sendo as de Homero apresentadas como modelo. No século I a.C, o poeta latino Horácio, na sua Arte Poética, redefiniu algumas regras e, finalmente, no Renascimento, as poéticas de Aristóteles e Horácio foram retomadas e completadas de acordo com os valores de então. Segundo o cânone, são varias as normas que presidem á epopeia:
· a acção épica – deve ter grandeza e soleniade, deve ser a expressão do heroísmo;
· o protagonista – (rei, grande dignitário , herói), além da sua alta estirpe social, deve revelar grande valor moral;
· o inicio de Narração apresenta-nos a acção já numa fase adiantada (“in media res”)
· a epopeia deve ter unidade de acção (assim, para não quebrar a unidade de acção, as narrações retrospectivas e as profecias surgem frequentemente nas epopeias para contare factos passados e futuro em relação a acção fulcral; Aristoteles cita o exemplo de Homero que não conta, na Ilíada, a Guerra de Troía com a sua diversidade de acontecimentos, mas situa a acção numa fase já adiantada do conflito e, sob a forma de episódios, apresenta um grande numero de ouros factos já passados);
· os episódios não só dão á epopeia extensão, como a enriquecem sem quebrar a unidade da acção;
· o maravilhoso (intervenção dos deuses) deve intervir na acção da epopeia;
· o género épico utiliza o modo narrativo; o poeta narra em seu próprio nome ou assumindo personalidades diversas;
· a intervenção do poeta, tecendo considerações em seu próprio nome deve ser reduzida. (Mais uma vez é referido o exemplo de Homero que, depois de um curto preâmbulo – Invocação e Proposição – passa de imediato á Narração)
· de acordo com as poéticas do renascimento, a epopeia deve ser escrita num estilo solene e grandioso, de acordo com a natureza heróica dos factos narrados. Deve também ser escrita em verso decassilábico.

quinta-feira, 18 de março de 2010

terça-feira, 2 de março de 2010

Homenagem às vitímas da Madeira

Lazer - Vivaldi - 4 Estações - A Primavera

Estamos quase…

Lazer - Março - frase do mês



«Só descobrimos que um plano esta errado
quando vamos até às últimas consequências.Ou quando Deus misericordioso nos guia noutra direcção.»
Paulo Coelho

Os Lusíadas de Camões



Finalmente, vamos dar início ao estudo de Os Lusíadas de Camões.

Função sintáctica - O vocativo



O caso vocativo é um caso gramatical, usado no vocativo. É uma referência à 2ª pessoa, um apelo, um chamado, e é usado para o nome que identifica a pessoa (animal, objecto etc.) a quem se dirige e/ou ocasionalmente os determinantes de tal nome. Uma expressão vocativa é uma expressão de referência directa, em que a identidade da parte a quem se fala é expressamente declarada dentro de uma oração. Por exemplo, na oração "não sei, João.", João é uma expressão vocativa que indica a parte a quem a oração se dirige.

Auto da Barca do Inferno - actividades


Auto da Barca do Inferno - cena dos 4 Cavaleiros - resolução de um teste

Guião:

1. Percurso cénico.
2. Símbolos cénicos e seu simbolismo.
3. Costumes (“mores”) censurados por Gil Vicente.
4. Levantamento das várias expressões que os quatro Cavaleiros usam para se referirem à Barca da Glória.
5. Na cantiga cantada pelos quatro Cavaleiros está condensada a moralidade da peça, reflexo da ideia que a Igreja tinha sobre a vida e o mundo. a. Indica-a. b. Justifica por que motivo esta peça se designou por Auto da Moralidade.
6. Levantamento de quatro arcaísmos. Escreve-os no português actual e indica os fenómenos fonéticos verificados.
7. Ao contrário do que acontece com as outras personagens, nada nos é dito sobre a sua vida ou morte, a não ser “morremos nas Partes de Além (v. 849)[…] pelejando por Cristo” (vv. 857-858). Imagina que cada uma destas personagens fazia uma pequena autocaracterização antes de embarcar. Redige cada uma delas.

Respostas

O Percurso cénico dos quatro cavaleiros é: Cais - Barca da Glória.
2. Os simbolos cénicos que os cavaleiros traziam eram : a Cruz de Cristo que simboliza a fé católica dos cavaleiros, as espadas e os escudos, que simbolizam a apologia da Reconquista e da Expansão da Fé Cristã
3. Os costumes censurados por Gil Vicente são os prazeres e os pecados.
4. As expressões que os quatro cavaleiros usam para se referirem à Barca da Glória são: “barca segura” (v.826), “barca bem guarnecida” (v.827), “barca da vida” (v.828) e “barca mui nobrecida” (v.841).
5. Gil Vicente pretende transmitir que quem faz o bem na Terra e espalhou a fé cristã é recompensado no Céu e quem acredita em Deus, quando morrer terá uma vida calma e tranquila, sem se preocupar e não terá de se arrepender de nenhum pecado e ficará com a consciência tranquila. a) A moralidade desta reflexão está condensada nos seguintes versos: “Vigiai – vos, pescadores, que depois da sepultura neste rio está a ventura de prazeres ou dolores. (vv. 836- 839). Gil Vicente com estes versos, pretendia transmitir que depois da '' vida terrestre '', cada pessoa era recompensada ou '' amaldiçoada '' conforme a sua vida na terra.b) Esta peça designa-se Auto da Moralidade porque Gil Vicente ao criticar os costumes, hábitos e vícios da sociedade, queria transmitir uma moral a toda a sociedade, queria que toda a sociedade ao ver a peça se risse, mas ao mesmo tempo, criticava os '' podres '' da sociedade daquele tempo.
6. Os fenómenos fonéticos são:Despois <> door – síncope Mui > muito – Paragoge
7. Retrato psicológico e físico Sou um nobre cavaleiro, que luta por Deus, pela minha pátria que amo.Tenho uma mulher de uma beleza extrema a quem dedico toda a minha vida e que me deu uns filhos que anseio ver.Sou alto, tenho olhos azuis, sou magro, mãos grossas, de quem andou na guerra, sou bem constituído e um homem atraente.

Auto da Barca do Inferno - cena dos 4 Cavaleiros


Os Quatro Cavaleiros

Símbolos Cénicos:
- hábito da ordem de Cristo
- espadas
Tipo:
- cruzados
Argumentos de Defesa:
- dizem que morreram a lutar contra os mouros em nome de Cristo
Quando chegam ao cais chegam a cantar. Essa cantiga mostra:
- aos mortais que esta vida é uma passagem e que terão de passar sempre naquele cais onde serão julgados
Os destinatários desta mensagem são:
- os mortais
- os Homens pecadores
Nessa cantiga está contida a moralidade da peça porque:
- fala da transitoriadade da vida
- fala da inavitabilidade do destino final
- fala do destino final que está de acordo com aquilo que foi feito na vida Terrena
Os cavaleiros não foram acusados pelo Diabo porque:
- merecem entrar na barca do Anjo
- morreram a lutar pela fé cristã, contra os infiéis, o que os livrou de todos os pecados
- esta cena revela a mentalidade medieval da apologia do espírito da cruzada
Desenlace:- Barca do Anjo

Auto da Barca do Inferno - cena do Enforcado - resolução de um teste

Guião:

1. Percurso cénico.
2. Símbolos cénicos e seu simbolismo.
3. Caracterização directa e indirecta da personagem-tipo.
4. Argumentos de defesa e argumentos de acusação.
5. Costumes (“mores”) censurados por Gil Vicente.
6. O Enforcado: culpado ou vítima?
7. Recurso expressivo presente nos versos e seu valor expressivo: “em morrer dependurado/como o tordo na buiz” (vv. 758-759)
8. Levantamento dos tempos verbais presentes na primeira fala do Enforcado e justificação do seu emprego.

Cena do Enforcado

1-Percurso cénico: o enforcado dirige-se à Barca do Inferno, onde embarca.
2-Símbolos cénicos e o seu simbolismo: O único símbolo cénico é o baraço (ou corda), que simboliza o pecado.
3-Caracterização directa da personagem:- “ Bem-aventurado” (verso 757)Caracterização indirecta da personagem:-ingénuo (vv. 767 à 769)-confiante na palavra dos outros (v. 796)-facilmente influenciável (v. 796)-criminoso ??? Qual o verso?
4-Argumentos de defesa:§ Confiança na palavra de Garcia Moniz (v. 796)§ Purgatório era o Limoeiro (vv. 810/811)§ Baraço era santo (v. 807)§ Orações feitas no momento de execução (vv. 792/793)Argumentos de acusação:§ Ladrão§ Criminoso Não há argumentos de acusação
5-Os costumes (“mores”) censurados por Gil Vicente: estes são o roubo e a mentira. Resposta incorrecta. Os costumes censurados são o engano dos mais fracos por pessoas com responsabilidade (Garcia Gil, Mestre da Balança da Moeda de Lisboa), doutrina, ou seja, o sistema.
6-A intenção critica de Gil Vicente: ao escolher esta personagem Gil Vicente foi denunciar as falsas doutrinas que invertem os valores da conduta social.
7-O Enforcado: culpado ou vítima? Consideramos esta personagem vítima porque ele foi induzido por Garcia Moniz, que sabia que em princípio não havia salvação possível para o Enforcado, e este vai ser fortemente criticado. Gil Vicente põe-nos face a uma personagem com responsabilidade que engana os mais fracos, neste caso, o Enforcado.·
8-Recurso expressivo: comparação, e o seu valor expressivo é ao usar este recurso ele estar a justificar a sua atitude e ainda a torná-la mais louvável.
9-Tempos verbais e a sua justificação: Te direi: Futuro do Indicativo Ele diz: Presente do Indicativo Fui: Pretérito Perfeito do IndicativoDiz: Presente do IndicativoEu fiz: Pretérito Perfeito do IndicativoMe fazem: Presente do Indicativo
São usados estes tempos verbais porque Garcia Moniz lhe faz uma previsão (Futuro) do que irá acontecer depois de sua morte. O enforcado, de forma ingénua, usa isso como argumento de defesa contra o Diabo afirmando que tem direito à entrada na Barca da Glória. Ele usa como argumentos os seus feitos no passado, na sua vida mortal, como a sua coragem por morrer dependurado para ser absolvido dos seus pecados.

Auto da Barca do Inferno - cena do Enforcado


O Enforcado
Símbolos Cénicos:
- baraço (corda que traz ao pescoço)
Tipo:
- povo (criminoso condenado)
Argumentos de defesa:
- ele havia sido perdoado por Deus ao morrer enforcado
- já tinha sofrido o castigo na prisão
- Garcia Moniz tinha-lhe dito que se se enforcasse iria para o paraíso
Argumentos de Acusação:
- o crime que cometeu (ser criminoso)
- ser ingénuo

Auto da Barca do Inferno - cena do Corregedor e do Procurador - resolução de um teste

Guião:

1. Percurso cénico.
2. Símbolos cénicos e seu simbolismo.
3. Caracterização directa e indirecta da personagem-tipo.
4. Argumentos de defesa e argumentos de acusação.
5. Tipo(s) de cómico usado(s).
6. Registo de língua usado pela personagem-tipo.
7. Função do Parvo.
8. Relação do Corregedor e de Brísida Vaz.
9. Levantamento das palavras do campo lexical de justiça.
10. Intenção crítica do autor.
11. Levantamento das diferentes formas como o Diabo é referido nesta cena.
12. Exemplos do texto dos seguintes recursos expressivos: a. Antítese; b. Eufemismo; c. Ironia. 13. Ao entrar na barca do Inferno, o Corregedor reconheceu Brísida Vaz. Imagina um diálogo entre estas duas personagens, em que ambas refiram os motivos pelos quais foram condenados e comentem, na sua perspectiva, a injustiça da sua condenação.

Respostas:

1. Percurso cénico de corregedor: cais –> barca do inferno –> barca da glória –> barca do inferno –> embarcaPercurso cénico do procurador: cais –> barca do inferno –> barca da glória –> barca do inferno –> embarca
2. Os símbolos cénicos do corregedor são: os feitos e a vara. Os feitos simbolizam a manipulação da justiça e a vara simboliza o poder judicial. O símbolo cénico do procurador é: os livros. Os livros simbolizam a injustiça. Mas em geral os símbolos simbolizam a corrupção.
3. Caracterização do corregedor: Indirecta – presunçoso (vv.609-610) , confiante (v. 647), bajulador (v. 607), resignado (vv. 738-739), implorativo (vv.715-716), corrupto (vv. 648-650), pecador (vv. 698-700), mentiroso (vv.655-658), ladrão (vv. 718-719)Caracterização do Procurador: Indirecta – convencido (v. 688, 690), pela linguagem que usa é vulgar (v.706), corrupto (vv.717-720), ladrão (vv.718-719)Também se sabe que o Procurador é pecador e mentiroso.
4. Argumentos de acusação do diabo ao corregedor: -aceitou subornos, até dos judeus que eram mal vistos naquele tempo-confessou-se, mas mentiuArgumentos de acusação do parvo ao corregedor e ao procurador: - roubaram coelhos- levavam a religião de uma forma superficialArgumentos de defesa do corregedor: - um juiz não pode ser condenado- era a mulher que aceitava os subornosArgumento de acusação da Brísida Vaz ao corregedor: - acusa-o de ele não a deixar em paz, de a mandar castigar por ela ser alcoviteira
5. O tipo de cómico usado é o cómico de linguagem.Ex: ‘Nom é de regulae júris, não!’ (v.622)
6. O registo de língua usado pelo corregedor é a gíria.Ex: ‘Nom entendo esta barcagem,Nem hoc non potest esse.’ (vv.633-634)O registo de língua usado pelo procurador é a gíria.Ex: ‘Quia speramus in Deo.’ (v.706)
7. A função do parvo é acusar e criticar o Corregedor e o Procurador das corrupções e dos roubos que eles cometeram na Terra.
8. O corregedor e a Brísida Vaz já se conheciam da vida terrena, tinham uma relação de cumplicidade, contudo na Terra a alcoviteira era o réu e o Corregedor o juiz, mas no Inferno os papeis inverteram e o Corregedor passou a réu.
9. As palavras do campo lexical de justiça são: corregedor, feitos, vara, juiz, direito, meirinho, ouvidor, escrivães e procurador.
10. O autor fez crítica à: parcialidade por parte de homens cultos e responsáveis pela justiça humana, à prática hipócrita da religião, Gil Vicente crítica também os Judeus e os Escrivães.
11. As formas como o diabo é referido na cena são: arrais infernal, arrais e barqueiro.
12. a) Exemplos de Antítese:“há-de ir um corregedor?Santo descorregedor.”b) Exemplos de Eufemismo:“Ires ao longo dos cães.”“E na terra dos danados”c) Exemplos de Ironia:“Santo descorregedor”“Como vindes preciosos,Sendo filhos da ciência”
13. Brí – Houlá Santo descorregedor!Que fazes por cá?Cor – O mesmo que tu…Brí – Mas porque foste condenado?Cor – Pela minha corrupção,tu sabes perfeitamente isso.E tu?Brí – Pela minha profissão epelas moças que vendi.Cor – Acho injusta a minha condenação…Apenas fiz o meu trabalho.Brí – Também acho a minha injusta,limitei-me a fazer à vida.Cor – Não há nada a fazerpara mudar os nossos actos!Brí – Cá se fazem,cá se pagam!

Auto da Barca do Inferno - cena do Corregedor e Procurador


O Corregedor e O Procurador
Símbolos Cénicos:
- Corregedor: vara e processos
- Procurador: livros jurídicos
Tipo:
- Corregedor: Juiz corrupto
- Procurador: Funcionário da Coroa corrupto
O Diabo cumprimenta o Corregedor com “Oh amador de perdiz” porque:
- era uma pessoa corrupta
- a perdiz era um símbolo de corrupção
A forma de como o Corregedor inicia diálogo com o Diabo aproxima-se da forma com o Fidalgo também o fez
O Corregedor usa muito o Latim porque:
- é uma língua muito usada em direito
O Diabo responde-lhe em Latim Macarrónico porque:
- era para ridicularizar a linguagem utilizada na justiça
- para mostrar que essa linguagem não servia de nada
- poderiam sobre falar bem Latim mas não sabiam aplicar as leis
O Corregedor pergunta “Há’ q-ui meirinho do mar?” porque:
- ele estava habituado a ser servido
O Corregedor pergunta se o poder do barqueiro infernal é maior do que o do próprio Rei porque:
- ele na Terra tinha um grande poder
- não admitia que mandassem nele
Argumentos de acusação do Procurador:
- não tem tempo de se confessar
Argumentos de acusação do Corregedor (o Diabo acusa-o de):
- ter aceitado subornos (ser corrupto)
- ter aceitado subornos até de Judeus (muito mal vistos naquele tipo)
- confessou-se mas mentiu
Argumentos de defesa do Corregedor:
- era a sua mulher que aceitava os subornos
Acho que o argumento usado de defesa do réu foi:
- errado
- o Diabo saberia de tudo
- ele não deveria estar a mentir
- não devia estar a acusar a sua mulher porque depois também ela era condenada
“Irês ao lago dos danados / e verês os escrivães / coma estão tão prosperados” quer dizer que:
- o Corregedor, quando for para o Inferno, vai encontrar os seus colegas (Homens ligados à justiça)
Gil Vicente julgou em simultâneo o Corregedor e o Procurador porque:
- ambos passavam informação
- ambos faziam parte da justiça
(havia cumplicidade entre a justiça e os assuntos do Rei, ambos eram corruptos)
A confissão para eles:
- não era importante: só se confessavam em situações de risco e não diziam a verdade
Quando o Corregedor e o Procurador se aproximam do Anjo, ele:
- reage mal
- fica irritado
- manda-lhes uma praga: atitude nada normal do Anjo
O Parvo acusa-os de:
- roubar coelhos e perdizes
- profanar nos campanários: levavam a religião de uma forma superficial
Desenlace:
- Inferno
No Inferno o Corregedor dialoga com Brízida Vaz porque:
- já se conheceriam da vida terrena

Auto da Barca do Inferno - cena do Judeu - resolução de um teste

Guião:

1. Percurso cénico.
2. Símbolos cénicos e seu simbolismo.
3. Caracterização directa e indirecta da personagem-tipo.
4. Argumentos de defesa e argumentos de acusação.
5. Tipo(s) de cómico usado(s).
6. Registo de língua usado pela personagem-tipo.
7. Fenómenos fonéticos ocorridos na evolução das seguintes palavras: dize>diz; filium>filiu>filho
8. Do texto desta cena, faz um levantamento das palavras relacionadas com a religião judaica.
9. Concordam com o desfecho que o autor preparou para esta personagem? Vocês condenavam-na? Justifiquem a vossa posição.

Cena do Judeu
Percurso cénico : O Judeu tenta entrar na Barca do Inferno mas não consegue. O Diabo acaba por permitir que ambos se desloquem a reboque na Barca do Inferno (“ires à toa” – vv. 602).
Símbolos cénicoso: Bode – salvação dos pecados, a purificação, o que explica o apego do Judeu ao Bode, mesmo depois da morte. (Símbolo da religião judaica).
Caracterização da personagem Judeu . Directa: ladrão (v. 589), má pessoa (vv.603) b. Indirecta: corrupto (vv. 567-571), fanático pela religião (v. 563), avarento (vv. 561, 568) [incorrecto], estes versos revelam que ele é negociante. Para além disso, também é indecoroso (vv. 581-588) e profano (vv. 595-598)
Argumentos de acusação e defesa: a. De acusação do Diabo e do Parvo: - Violação de sepulturas cristãs (vv. 595-596); - Consumo de carne em dias de jejum (vv. 597-598). - Suborno (vv. 567-568) [incorrecto], estes versos são ditos pelo próprio Judeu!- Apego fanático à religião judaica (vv. 595; 567-569) [incorrecto], o verso 595 não revela esse aspecto, mas a profanação da igreja, os outros versos são ditos pelo próprio Judeu!b.
Argumentos de defesa: - Não tem argumentos de defesa pois como é judeu não crê em Deus, não acredita que possa ter salvação.
Tipo de cómico usado: a. Linguagem à utiliza o registo de língua popular nos insultos ao parvo e ao Diabo (581-588) b. Situação à aparece com o bode às costas e termina a reboque da Barca do Inferno (didascália de entrada: “com um bode às costas; e, chegando ao batel dos danados, …”; vv.602-304)
Registos de língua a. Calão (vv. 581-588) Pragas que roga ao Diabo
Evolução das palavras: Fenómenos fonéticos a. Dize > diz à Apócope (e) b. Filium > filiu > filho apócope (m)
Palavras relacionadas com a religião judaica: a. “Bode” – símbolo da religião (vv. 562), Semifrá (v. 569), dinheiro (v. 561) testões (v. 567).
Desfecho da personagem Não concordamos com o desfecho desta personagem, pois julgamos que deverá ser punida pelo o desrespeito pela sua religião (consumo de carne em dias de jejum) e pela violação de sepulturas cristãs mas não por ser de uma religião diferente à religião cristã. Embarcaria na Barca do Inferno em vez de ir a reboque, pois não deverá ser condenado pela sua natureza.

Auto da Barca do Inferno - cena do Judeu


Judeu (Semah Fará)
Símbolos Cénicos:
- bode: representa a sua religião
Tipo:
- Judeu
Logo que chega ao cais o Judeu dirige-se para a barca do Inferno porque:
- sabe que não será aceite na barca do Anjo, já que em vida nunca foi aceite nos lugares dos Cristãos
- os Judeus eram muito mal vistos na época e nem poderia admitir a hipótese de entrar na barca do Anjo
Para entrar na Barca do Inferno ele usa:
- o dinheiro
Ele usa o dinheiro porque:
- era uma forma de mostrar que os Judeus tinham grande poder económico e que estavam ligados ao dinheiro
O Judeu recusa deixar o bode em terra porque:
- quer ser reconhecido como Judeu
- não recusa a sua religião
Argumentos de acusação (o Parvo acusa-o de):
- roubar a cabra
- ter cometido várias ofensas à religião cristã e à igreja, comendo carne no dia de jejum
- ser Judeu
Em termos de contexto histórico essa acusação:
- revela que os Cristãos odiavam os Judeus
- acusavam-nos de enriquecer à custa de roubos de Natureza diversa
- acusavam-nos de ofender a religião católica, cometendo diversas profanações
Desenlace:
- fica no cais (porque ninguém o quer)

Auto da Barca do Inferno - cena da Brísida Vaz - resolução de um teste

Guião: 1. Percurso cénico.
2. Símbolos cénicos e seu simbolismo.
3. Caracterização directa e indirecta da personagem-tipo.
4. Argumentos de defesa e argumentos de acusação.
5. Tipo (s) de cómico usado (s).
6. Intenção de Gil Vicente ao criar esta personagem: crítica individualizada ou crítica de outros sectores da sociedade. Justifiquem a resposta, transcrevendo os versos que a comprovem.
7. Compara o sentido da palavra alcoviteira na obra estudada com aquele que tem actualmente. 8. Decompõe a palavra alcoviteira nos seus elementos constituintes, explicando o significado de cada um deles.
9. Identifica o fenómeno fonética na evolução fonética do seguinte vocábulo mui- muito.



1- Cais→barca do Inferno→barca da Glória→barca do Inferno(embarque)
2- Os símbolos cénicos da alcoviteira são: seiscentos virgos postiços, três arcas de feitiços, três almários de mentir, cinco cofres de enleos, alguns furtos alheos, jóias de vestir, guarda-roupa d’encobrir, casa movediça um estrato de cortiça com dous coxins d’encobrir e as moças que vendia . Estes símbolos cénicos representam a sua actividade ligada a prostituição e o seu carácter manhoso, enganador. Representam ainda os roubos que fazia.(vv.490-503)
3- A caracterização da alcoviteira é sobretudo indirecta. BrÍsida era mentirosa (“três almários de mentir”), mexeriqueira(“cinco cofres de enleos”), ladra(“alguns frutos alheos”), cínica(“trago eu muita bofé”), convencida(“e eu vou pera o paraíso”),enganadora(“barqueiro mano meus olhos”). (VV.490-502)
4- Argumentos de defesa – levava bofé; era uma mártir; levou açoites; servia a Sé; era perfeita como os apóstolos e anjos e fez coisas muito divinas; salvou todas as suas meninas (VV.504, 509, 510, 526, 530, 531, 532) . Argumentos de acusação – a vida de prostituta (V.502 ), a hipocrisia (VV. 533-536)
5- Tipos de cómicos:- Cómico de linguagem - "barqueiro mano, meus olhos"; "cuidais que trago piolhos?" (VV517, 521).- Cómico de carácter - "eu som apostolada...fiz cousas mui divinas" (VV.530-532).
6- Gil Vicente faz crítica às alcoviteiras (VV. 523,524,533,534).Critica as outras classes nomeadamente o Clero (VV.525,526).
7- O sentido da palavra alcoviteira na obra refere-se àquelas mulheres que exploravam sexualmente outras mulheres levando-as a prostituírem-se. Actualmente alcoviteira é a mulher que vive a falar mal das outras pessoas, a fazer intriga.
8- Alcoviteira = alcova (quarto interior de dormir) +eira (profissão).
9- Fenómenos fonéticos
Mui - Muito paragoge

Auto da Barca do Inferno - cena da Brísida Vaz



A Alcoviteira
1. Percurso cénico: Cais→barca do inferno→barca da glória→barca do inferno(embarque)
2. Símbolos cénicos e seu simbolismo: Os símbolos cénicos da alcoviteira são: seiscentos virgos postiços, três arcas de feitiços, três almários de mentir, cinco cofres de enleos, alguns furtos alheos, jóias de vestir, guarda-roupa d’encobrir, casa movediça um estrato de cortiça com dous coxins d’encobrir e as moças que vendia . Estes símbolos cénicos representam a sua actividade ligada à prostituição e o seu carácter manhoso, enganador. Representam ainda os roubos que fazia.
3. Caracterização directa e indirecta da personagem-tipo: A caracterização da Alcoviteira é sobretudo indirecta. Brísida era mentirosa (“três almários de mentir”), mexeriqueira(“cinco cofres de enleos”), ladra(“alguns frutos alheos”), cínica(“trago eu muita bofé”), convencida(“e eu vou pera o paraíso”),enganadora(“barqueiro mano meus olhos”).
4. Argumentos de defesa e argumentos de acusação: Argumentos de defesa – levava bofé; era uma mártir; levou açoites; servia a Sé; era perfeita como os apóstolos e anjos e fez coisas muito divinas; salvou todas as suas meninas . Argumentos de acusação – a vida de prostituta, a hipocrisia.
5. Tipo(s) de cómico usado(s):- Cómico de linguagem - "barqueiro mano, meus olhos"; "cuidais que trago piolhos?"- Cómico de carácter - "eu som apostolada...fiz cousas mui divinas".
6. Intenção de Gil Vicente ao criar esta personagem: crítica individualizada ou crítica de outros sectores da sociedade: - Gil Vicente faz crítica às alcoviteiras.Critica as outras classes nomeadamente o Clero.
7. O sentido da palavra alcoviteira na obra estudada e o que tem actualmente: O sentido da palavra alcoviteira na obra refere-se àquelas mulheres que exploravam sexualmente outras mulheres levando-as a prostituírem-se. Actualmente alcoviteira é a mulher que vive a falar mal das outras pessoas, a fazer intrigas.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Exames do 9ºano - informação e caracterização da prova para 2010


Clica aqui para saberes tudo sobre o exame de Língua Portuguesa 2010.

http://www.gave.min-edu.pt/np3content/?newsId=276&fileName=IE_LPort_22_10.pdf

Exames do 9ºano - resolução de exames


Podes consultar os Exames e a respectiva correcção no site:

http://www.gave.min-edu.pt/np3/32.html

História e Evolução da Língua Portuguesa - Os fenómenos fonéticos - actividades


História e Evolução da Língua Portuguesa - Os fenómenos fonéticos


Auto da Barca do Inferno - cena do Frade - resolução de um teste


Lembrei-me que este teste resolvido te poderia ajudar no teu estudo desta cena.
Bom trabalho!


Guião de um teste resolvido

1. Percurso cénico.
2. Símbolos cénicos e seu simbolismo.
3. Caracterização directa e indirecta da personagem-tipo.
4. Argumentos de defesa e argumentos de acusação.
5. Tipo(s) de cómico usado(s).
6. Registo de língua usado pela personagem-tipo.
7. Semelhança e diferença entre a personagem Florença e a personagem Pajem, na cena do Fidalgo. 8. Intencionalidade do nome dado por Gil Vicente à companheira do Frade (Florença).
9. Interpretação do papel do Parvo.
10. Intenção de Gil Vicente ao criar esta personagem: crítica generalizada ou crítica individualizada. Justifiquem a resposta transcrevendo o(s) verso(s) que a comprove(m).
11. Procura exemplos de ironia.
12. Patrem é o étimo latino a partir do qual derivaram duas palavras: pai e padre. Explica este facto linguístico e refere como se chamam estas palavras.
13. O Frade acusou os seus colegas do convento. Imaginemos que, ao entrar na barca do Inferno, sentindo um intenso sofrimento, decidiu escrever-lhes uma carta, alertando-os para os riscos que correm. Redige essa carta.


Cena do Frade

1- Cais à Barca do Inferno à Barca da Glória à Barca do Inferno à Embarque.
2- Amante (Florença) -Infidelidade a Deus, “mulher do padre”;Espada, escudo, casco – a esgrima, a vida mundanal, que nada tem a ver com a vida espiritual de um frade de verdade.
3- Caracterização Directa - O Frade auto-caracteriza-se como “cortesão” ( v. 372), ou seja, alguém que está familiarizado com os hábitos da corte. Mais tarde, assume-se como “namorado” e “dado a virtude” ( vv. 397-398) que tem “tanto salmo rezado” ( v. 412).Assim, desde logo esta personagem assume, de forma directa, uma vida dupla como frade, que usa hábito e reza orações e que também é da corte, que namora, canta, esgrima e toca viola.
Caracterização Indirecta - As suas atitudes, também certificam que é um padre pecador, que levava uma vida boémia, em vez de se dedicar afincadamente ao serviço que prestava a Deus e em auxílio de quem precisasse. Mostra que é obstinado quando se nega a entrar na Barca do Inferno, convencido de que as suas rezas e o simples hábito de Frade lhe garantirão um outro destino. Do mesmo modo, também não aceita que Florença entre nessa barca, o que pode denunciar que o Frade não estava ainda consciente de ter vivido uma vida de pecado. (É preciso indicar os versos a partir dos quais se basearam para chegar a esta caracterização).
4- Argumentos de acusação – Ser mundano e não cumprir os votos de castidade e de pobreza; (É preciso indicar os versos a partir dos quais se basearam). Argumentos de defesa - O seu estatuto (Frade) e ter rezado muito na sua vida. (Resposta incompleta... É preciso indicar os versos a partir dos quais se basearam para chegar a esta caracterização).
5- Cómico de linguagem - “Devoto padre marido” (v. 415); Cómico de situação - a entrada do frade em cena com a moça pela mão (Há ainda outro cómico de situação) ; Cómico de carácter - pensava que a relação proibida com a moça seria perdoada pelas muitas rezas. (É preciso indicar os versos a partir dos quais se basearam ).
6- Gíria (usava termos técnicos de esgrima) vv. 426 - 430 (Transcrevam todas as palavras e expressões) ;Cuidada vv. 420 – 423.
7- A semelhança entre a personagem Florença e a personagem Pajem é que ambos eram serviçais e a diferença é que a personagem Pajem foi ilibada e a personagem Florença foi condenada, por ser cúmplice.
8- A intencionalidade do nome dado por Gil Vicente à companheira do Frade (Florença), é que Florença representa uma cidade italiana considerada o berço do renascimento, além disso essa cidade foi governada pela família Médici, protectora dos judeus, iniciando uma longa relação da família com a comunidade judaica, que se tornaria comprometedora com a inquisição. (Há ainda uma outra interpretação para o nome Florença, leiam atentamente as palavras de Joane).
9- Acusar. (A resposta pode estar mais completa)
10- Critica generalizada ao clero – vv. – 415-416; vv. - 381-383.
11- Exemplos de Ironia: “ Gentil padre mundanal, / a Berzabu vos encomendo.” ( vv. 391-392); “ Devoto padre marido, / havês de ser cá pingado.” ( vv. 415-416); “ O padre Frei capacete! / cuidei que tínheis barrete!” ( vv. 418-419) 12- Palavras divergentes (via popular e via erudita) (A resposta tem de estar mais explícita) .

13- Carta
13/11/1517

Caros amigos,

Escrevo esta carta como sinal do meu arrependimento e descontentamento por todos os pecados, que cometi em vida, (o «e» substitui a vírgula) e que (não são as palavras mais adequadas, tentem procurar a forma mais apropriada) estou agora a pagar no fogo ardente do inferno.
Éramos despreocupados, fazíamos coisas pouco dignas do nosso estatuto social do Clero (desnecessário, porque redundante) e pensávamos que nos desculpávamos rezando o salmo. Isso é tudo mentira. Eu tanto salmo rezei e afinal não me serviu de nada. Não adianta rezar para salvar pecados, por isso não os cometam ou acabarão como eu, neste inferno onde pagarei, para sempre, pelo que fiz no passado. Passem a aceitar as vossas restrições e regras e não rezem se não for apenas com a demanda de ajudar outros e não de serem perdoados.
Espero que pensem neste conselho e que não vão pelos caminhos por que eu fui. Arrependam-se de tudo o que o que fizeram para que um dia possam obter a absolvição dos pecados, mas não esperem por isso ou nunca aparecerá.
Os meus mais sinceros cumprimentos,
Frade

Auto da Barca do Inferno - cena do Frade


Lazer - Janeiro - frase do mês



«Precisava das asas.Elas mostram-nos os horizontes sem fim da imaginação,levam-nos além dos nossos sonhos, conduzem-nos a lugares distantes.São as asas que nos permitem conheceras raízes dos nossos semelhantes e aprender com eles.»

Paulo Coelho